Rodrigo Pacheco classifica a situação do estado como “a mais grave crise fiscal de Minas”

O presidente do Senado ponderou que a resolução depende de uma união entre o governador mineiro e o presidente Lula

Rodrigo Pacheco classifica a situação do estado como “a mais grave crise fiscal de Minas”
Foto: Agência Senado

Rodrigo Pacheco (PSD), senador por Minas Gerais, em entrevista coletiva no Congresso Nacional, fez duras críticas ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) proposto pelo governador Romeu Zema (Novo) e classificou o cenário mineiro como “a mais grave situação fiscal da história do Estado”.

Essa avaliação acontece após Zema enviar ofício ao senador solicitando ajuda na negociação do RRF junto ao governo federal. Apesar das críticas, Rodrigo Pacheco ponderou que a resolução depende de uma união entre o governador mineiro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Nós estamos diante de uma situação em que a política precisa se unir em torno da solução do problema. Isso é um problema do Estado de Minas Gerais e sendo um problema de Estado e não de governo, a solução também deve ser de Estado e não de governo. A RRF não é a solução dos problemas de Minas, mas um adiamento dos conflitos”, argumentou.

Já o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeus Martins Leite (MDB), após se reunir com líderes partidários, disse que vai apresentar uma proposta paralela ao presidente Lula. Atualmente, Minas Gerais tem uma dívida acumulada de R$ 161 bilhões com a União.

O Regime de Recuperação Fiscal que tramita na ALMG tem forte resistência popular e de servidores estaduais, já que prevê o congelamento dos salários por nove anos. A proposta também acena para a privatização das estatais mineiras.

No plano que será apresentado por Lula a Pacheco, o valor total da dívida será aferido no intuito de diminuir o montante e que os créditos estaduais, como o acordo de Mariana, sejam destinados diretamente à União. Ao invés das privatizações, as estatais mineiras seriam federalizadas.

O presidente da ALMG, Tadeu Leite, afirmou que foi a Brasília para pedir ajuda ao presidente do Senado e espera que a dívida histórica seja resolvida o mais rápido possível. “Estamos procurando uma alternativa ao que está sendo discutido lá na assembleia, uma opção que não sacrifique os servidores, as empresas, mas que resolva o problema da dívida do Estado, que, como eu disse, desde 1998 temos visto só espremer o governo”, disse.

O projeto de RRF de Zema está em análise das comissões da ALMG e tem provocado reações em Minas Gerais, com servidores públicos realizando manifestações e greves. Há descontentamento também de parlamentares da base e da oposição.