Câmara Municipal solicita corte de palmeiras e revolta conselheiros de Meio Ambiente
Ânimos se exaltaram durante a reunião
Um ofício enviado pela Câmara Municipal à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano se transformou em polêmica na reunião dessa quinta-feira, 3 de setembro, no Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema).
No ofício, datado do dia 27 de julho, o presidente do legislativo, Solimar José da Silva (SD), solicita à secretaria o corte de algumas das palmeiras existentes na área da Câmara “a fim de evitar acidentes futuros, visto tratar-se de árvores de grande porte e no local haver estacionamento e grande fluxo de pessoas”.
No dia 20 de agosto, a SMDU enviou outro ofício ao Codema informando sobre o pedido do legislador e pedindo que os conselheiros deliberassem sobre o assunto por se tratar de elementos importantes para a composição da arborização urbana. No documento consta que, na mesma data, houve uma visita técnica e que “a retirada dos coqueiros em frente ao local citado se torna inviável, tendo em vista que as árvores encontram-se sadias, não apresentam riscos de acidentes e nem impossibilitam a passagem de transeuntes, bem como o acesso de veículos ao estacionamento”. O documento ainda salienta que quando as folhas estiverem secas ou tombadas, basta realizar uma limpeza.
Assim que o tema foi levantado na reunião, os conselheiros negaram o pedido de corte, no entanto, após a explicação da diretora de serviços essenciais e emergências, Elaine Mendes, o assunto foi retirado de pauta. Segundo ela, houve um mal-entendido na interpretação do documento. “Nós achamos que eram mais palmeiras, mas foi esclarecido que eram apenas três no estacionamento. Então a SMDU vai fazer outra visita técnica e dar outro parecer”, explicou.
A decisão sobre o corte das árvores é da SMDU. O assunto foi repassado para o Codema apenas para ouvir a opinião dos conselheiros. “Normalmente o corte chega ao conselho quando são árvores nativas ou uma grande quantidade, como imaginaram no início. A própria pasta emite a autorização com as devidas compensações ambientais a serem adotadas”, explicou a superintendente de Meio Ambiente, Luciana Ottoni, que presidiu a reunião.
Contrário ao corte das árvores, o conselheiro Sidney Lage questiona a necessidade da ação. “Cortar três árvores adultas com mais de 15 anos não justifica. Elas estão do lado da parede, não colocam ninguém em risco. Porque cortar? É capricho do senhor vereador”, opinou. Sidney ainda destacou que todas as árvores são patrimônio público do município. "Não estamos em momento de fazer cortes, de nada, estamos precisando é de plantar. Nos educarmos de novo”, refletiu.
Também contra o corte, o conselheiro Francisco Carlos Silva defende que a população seja ouvida na tomada da decisão. “As pessoas têm que entender que o gestor público gerencia aquilo que é nosso. Sugiro que faça uma audiência pública, que seja para cortar um coqueiro que for. Não é isso que pregam na câmara? Ouvir a comunidade? Vamos ouvir a coletividade”, exclamou. Francisco contou, ainda, que em uma enquete realizada por ele em uma rede social, a opinião dos internautas foi quase unânime contra o corte.
Luciana opina que as considerações levantadas pelos conselheiros durante a reunião devem ser avaliadas pela equipe técnica para tomar a decisão de autorizar ou não o corte das árvores.