Devolução em massa de imóveis normaliza o preço do aluguel em Itabira
Preço do aluguel subiu demais no município nos últimos tempos e agora estão voltando ao patamar “normal”.
Matéria publicada na edição 268 da revista DeFato
Após anos de subida meteórica, o preço dos alugueis em Itabira começa a recuar. Para os donos de imóveis, notícia ruim. Para os locatários, não podia ser melhor. Há dois, três anos, alugar uma casa ou apartamento demandava tempo, paciência e disposição. A negociação ficava praticamente na mão do vendedor. Difícil baixar os preços. Achou caro? Sem problema, tem fila aguardando sua desistência.
Desde o final de 2014, o cenário mudou. De acordo com Marco Aurélio Garcia Matos, presidente da Acita e dono da imobiliária que leva seu nome, está sobrando imóveis em Itabira. Ele conta que nos últimos meses várias empresas encerraram seus contratos com a Vale e houve uma devolução em massa. Desde então, placas de “aluga-se” estão espalhadas por todos os bairros da cidade.
Marco explica que quando as empresas chegaram, o descompasso entre oferta e demanda, que já existia, ficou ainda maior. Resultado: aumento de preços bem acima dos índices nacionais. “Um apartamento de três quatros no bairro Amazonas, por exemplo, era locado a R$ 550 há três anos. Chegou a R$ 1,5 mil. Agora está caindo para R$ 900,00”, exemplifi ca o empresário.
Além dos imóveis que estão sendo desocupados, há também uma leva de apartamentos novos sendo entregues. Boa parte desses APs foi adquirida na efervescência imobiliária por pessoas que queriam aproveitar o boom do momento. São unidades pequenas, geralmente de um, dois e três quartos, que valeriam R$ 700, R$ 800 de aluguel há três anos. Hoje, não mais. A desaceleração, e até recuo em alguns casos, equilibra o mercado.
Segundo corretores ouvidos por DeFato, o preço do aluguel subiu demais no município nos últimos tempos e agora estão voltando ao patamar “normal”. O empresário Danilo Domingues Lopes, dono da Horizonte Imóveis, defende esse ponto de vista. Segundo ele, não há crise no mercado imobiliário em Itabira; há um ajuste nos preços.
Danilo afirma que em outras cidades o mercado está pior. Há retração mesmo, e forte em algumas delas. “Em Itabira, nem tanto. Aqui sempre há procura maior que oferta, devido à Vale, às empreiteiras e à Unifei. Isso torna o mercado praticamente estável”, comenta, otimista.
O corretor confirma, no entanto, que vários contratos renovados em sua imobiliária este ano não tiveram aumento no preço, nem para corrigir o IGPM. “É melhor permanecer locado pelo valor que está do que fi car vazio”, argumenta. Com preços “normalizados”, famílias têm optado por casas até 20% mais baratas e com o mesmo padrão de conforto. É a balança tendendo para o lado dos clientes.
Imóvel comercial
Diferentemente dos residenciais, os imóveis comerciais continuam caros. Falta loja, sobra procura. Desconsiderando o momento de crise no preço do minério, o carro-chefe da economia de Itabira e do estado, o comércio de Itabira ainda tem espaço para crescer – afinal, a cidade está na lista das maiores em renda per capita no país. Por causa disso, sempre tem empresa de fora interessada em abrir seus negócios por aqui. O problema é que nos centros comerciais amadurecidos, os pontos bons são raros e, por isso, “salgados”.
Comprar ficou mais barato que alugar
Quando chegou em Itabira, em 2009, a belo-horizontina Morgana Jalles teve muita dificuldade em encontrar um imóvel para alugar. Ela mudou-se da capital para acompanhar o marido, que tinha sido aprovado em um concurso público.
Depois de muita pesquisa, encontrou uma casa no bairro Colina da Praia por R$ 600. Segundo ela, era um imóvel modesto, tinha pouco espaço, mas foi o que cabia no orçamento. “Se fosse em BH, dava para alugar até com piscina e sauna, dependo do bairro e região”, conta.
Dois anos depois, o proprietário pediu a casa porque sua filha ia se casar. Morgana e o marido tiveram de sair e começar tudo de novo: gastar muita sola de sapato até encontrar outro imóvel de seu agrado.
O casal foi para um apartamento no bairro Quatorze de Fevereiro, na rua Dona Modestina, mas a qualidade do imóvel era bem inferior. “Na verdade era um porão todo mofado. A condição do apartamento não era boa, tinha dois quartos, suítes, mas era péssimo, não batia sol”, lembra. Pagava um salário mínimo na época pelo aluguel e ainda precisava alugar uma garagem e parte, o que aumentava os custos.
Foi então que, com um dinheiro reservado, Morgana e o marido resolveram investir na casa própria. “Paguei numa casa nova com três quartos R$ 110 mil, no bairro Colina da Praia, em 2010/2011. Hoje o imóvel vale em torno R$ 310 mil. Financiei e pago uma parcela mais barata que um aluguel em Itabira. Acho isso absurdo. Uma casa de 3 quartos, nova, primeira dona, seria R$ 2 mil de aluguel. Pago menos de R$ 1 mil de fi nanciamento”, compara.