Famílias que perderam móveis em enxurrada tentam se reerguer

Algumas famílias, em especial, tiveram grandes perdas com o aguaceiro

Famílias que perderam móveis em enxurrada tentam se reerguer
No dia 9 de novembro do ano passado, moradores da rua Manganês, no bairro Caminho Novo, em Itabira, viveram momentos de tensão com a enxurrada que entrou nas casas e destruiu diversos móveis. Na ocasião, a chuva forte que caiu sobre a cidade causou prejuízos em diversos outros bairros.
 
Algumas famílias tiveram grandes perdas, como a de Rosilene Rodrigues. Ela perdeu geladeira, colchões, roupas, notebook e alimentos. A água invadiu guarda-roupa, fogão e entrou até em panelas. Exatamente dois meses depois da enxurrada, a reportagem voltou ao local para saber como está a família. Conversando com a mãe dela, a pensionista Maria José de Oliveira Rodrigues, 70 anos, foi possível perceber que, de lá para cá, pouca coisa mudou. Contudo, a solidariedade de amigos e parentes tem ajudado Rosilene e sua família a se reerguer.
 
Segundo a idosa, a filha, que mora no mesmo lote, está utilizando apenas dois cômodos da casa e aos poucos faz reparos no restante da residência. Com a água, o piso estourou. “Ela teve ajuda do vereador Ronaldo Capoeira, que doou alguns materiais [de construção] para mexer na casa”, disse Maria José. A mulher ainda não conseguiu recuperar todos os móveis danificados e nem comprar novos. Tem medo de investir e perder tudo de novo.
 
Estragos
Na casa de Maria José, os estragos também foram grandes. Armários, portas, colchões, equipamentos eletrônicos e roupas se perderam. Hoje é possível observar as avarias: pés de armários estão prejudicados, portas empenadas, as marcas da água suja ainda podem ser vistas nas paredes. Até a escritura e documentações da casa foram danificadas. “Até hoje, quando lavo, sai lama dos móveis, parece que ficam escondidas”, relata a pensionista. Ela diz que o problema é acarretado pelo fato de a rua não ter tubulação adequada e desvio de água.
 
Moradora do local há 49 anos, a idosa disse que há vários anos a cena se repete. Segundo ela, grande parte dos moradores pretende acionar a Justiça pelas constantes perdas. Apesar do medo de mais uma enchente, ela não pensa em se mudar e espera que a situação se resolva. “Não gostaria de mudar. Criei meus 10 filhos aqui com muita luta. Cada pedra é uma gratificação. Mas sinto tristeza de não poder resolver as coisas”, finaliza.