Escola de negócios

Mauricio fala sobre a importância das incubadoras na transformação do perfil empreendedor no Brasil

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A Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de Itabira (Inovatec) assinou, no dia 30 deste mês, os primeiros contratos com as empresas selecionadas para o processo de incubação. Mantida pela Prefeitura e gerida pela Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Fapepe), a instituição tem o papel de conceber novos negócios que transformem a economia de Itabira, hoje muito dependente da mineração. Na ocasião, participou do evento solene o engenheiro Mauricio de Pinho Bitencourt, consultor de negócios na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de Itajubá (INCIT), a melhor do Brasil no ano passado em seu segmento, segundo a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).
 
Depois da solenidade, Mauricio concedeu entrevista a DeFato e falou sobre a importância das incubadoras na transformação do perfil empreendedor no Brasil. Segundo ele, incubadora é uma escola de negócio. É onde o empreendedor aprende a ser empresário, a lidar com capital, com riscos e todos os aspectos da economia globalizada. Na incubadora, a empresa nasce protegida e tem mais chance de sobreviver quando ganha o mercado – cada vez mais competitivo. Consultor da INCIT há oito anos, Mauricio também vai ajudar a Inovatec a gerar empresas sólidas e negócios inteligentes para Itabira. A seguir, trechos da entrevista.
 
A melhor do Brasil – “A incubadora é o local onde os empreendedores encontram o melhor ambiente para o desenvolvimento de seus projetos. Recebemos no ano passado uma honraria muito importante da Anprotec, a associação nacional das incubadoras do Brasil, que anualmente promove uma premiação para as instituições que mais se destacam. Na edição 2013, fomos contemplados ao submetermos um projeto e concorrermos com várias incubadoras. No nosso projeto, mostramos as ações e os resultados e fomos agraciados com esse prêmio. Isso é importante no sentido de ser uma chancela de instituições públicas que fazem parte desse evento de premiação, como CNPq, Sebrae Nacional e Finep. Também nos fortalece e nos motiva a continuar trabalhando”.
 
Nascer ou não em uma incubadora – “Costumo dizer que a incubadora é uma escola de negócio. É onde o empreendedor aprende a ser empresário. É bom a gente entender que nem todo o empreendedor vai ser empresário, mas todo empresário é um empreendedor. O pesquisador pode ter uma boa ideia, mas para ter um negócio ele precisa olhar seu projeto de forma mais ampla. E no ambiente de incubação, é possível aprender a gerir uma empresa, a lidar com capital e com as finanças. Na incubadora você aprende a desenvolver o seu mercado. A diferença está no período de aprendizado. É um ambiente, entre aspas, de proteção para que, na fase primordial de qualquer negócio, que é a fase do nascimento, ele não venha a sucumbir. Estudos sobre taxa de mortalidade de empresas mostram que elas morrem porque não nasceram certo. Nasceram com dificuldade ou despreparadas. Às vezes são pessoas muito boas, brilhantes, mas não à frente de negócios. Para ter um negócio de sucesso, é preciso se capacitar, aprender a fazer parcerias, a lidar com riscos, aprender sobre o mercado. E isso no ambiente de incubação é muito bem trabalhado. Muitas vezes quem sai do ambiente de incubação sai mais robusto, mais fortalecido para enfrentar o mercado, por se tratar de um ambiente privilegiado. É importante dizer também que o ambiente de incubação serve de transferência de conhecimento. Muitas vezes uma pesquisa que está na universidade – e seria apenas uma pesquisa acadêmica, científica – pode ir para o mercado através de uma incubação. É isso que a gente espera também dos nossos pesquisadores: soluções e produtos, não só conhecimento”.
 
Empreendedor por necessidade – “O Brasil está bem ranqueado do ponto de vista de pessoas empreendedoras. Porém, é o empreendedor por necessidade. É aquele tipo de pessoa que abre um negócio porque precisa sobreviver – e que muitas vezes dá certo. Porém, a taxa de risco desse negócio é muito elevada. Aí vem a importância da pré-incubação, de programas junto às escolas. Formar o indivíduo, de preferência desde a maternidade, para que ele possa seguir um caminho na vida, identificando e observando oportunidades, é primordial. Esse será o empreendedor que terá chances de sucesso, porque ele sabe o quer fazer, ele planeja e sabe onde quer chegar. Não é aquele que está simplesmente tentando sobreviver, que muitas vezes gera um problema social. Uma pessoa que se arrisca a desenvolver algo sem o planejamento, sem analisar os riscos, geralmente acaba gerando um problema social. Gasta energia, capital, recursos e acaba endividado. Agora o empreendedor de oportunidade, não. Ele sabe o que quer”.
 
O papel da escola – “O problema educacional é histórico no nosso país. O modelo da educação brasileira é o modelo fordista. Se você olhar para uma sala de aula, vai ver um aluno atrás do outro. É como se fosse uma linha de montagem. Esse modelo educacional foi desenhado para o Brasil da década de 1940, quando o país precisava de mão de obra para a indústria automobilística, de profissionais apenas para apertar parafusos. Temos, sim, de investir em profissionais que vão trabalhar na indústria, mas precisamos ampliar a educação – em todos os sentidos. Não adianta também por dinheiro em sala de aula, construir prédio e achar que do outro lado vai sair profissional capacitado. Tem de investir na formação dos educadores. E do outro lado, investir em temas relacionados à área empreendedora. Nem todo mundo quer e precisa ser funcionário de uma grande empresa. Ele pode ser um grande empresário de uma pequena empresa e desenvolver toda uma sociedade. O caso de Santa Rita do Sapucaí é um exemplo. É uma cidade pequena, tem em torno de 50 mil habitantes, mas com o perfil econômico baseado na indústria de eletrônicos. Há 20 anos o município produzia café. Hoje a cidade tem uma base industrial de pequenas empresas na área tecnológica. Isso foi investimento em formação e é o que pode ser feito aqui em Itabira”.