Abel admite “erro de estratégia” contra Inter Miami e foca no Botafogo: “times que se conhecem”

A partida das oitavas de final contra os cariocas será no sábado, às 13 horas (horário de Brasília), na Filadélfia

Abel admite “erro de estratégia” contra Inter Miami e foca no Botafogo: “times que se conhecem”
Foto: Cesar Greco/Palmeiras

Bastante calado na beira do campo durante quase todo o jogo diante do Inter Miami, o técnico Abel Ferreira parecia fazer um silencioso mea-culpa pela pior apresentação do Palmeiras no Mundial de Clubes. Após a reação no fim e a busca pelo empate por 2 a 2, depois de uma desvantagem de dois gols, que valeu a liderança do Grupo A, o português admitiu que errou na estratégia.

“Demos espaço para o nosso adversário decidir. As oportunidades foram em algumas abordagens que poderíamos ter melhorado, mesmo por exemplo na transição do nosso adversário. Temos uma estrutura defensiva. Porventura, eu errei naquilo que era a estratégia e o elenco que deveria ter começado o jogo, sobretudo para parar as transições do nosso adversário”, admitiu um cabisbaixo, mas aliviado Abel Ferreira.

“No intervalo, eu disse aos jogadores que pior do que aquilo era impossível. Então, na segunda parte, certamente iríamos melhorar Fizemos um ajuste no lado esquerdo para o segundo tempo, para ter mais pressão e fazer o que fizemos nos últimos 15 minutos”, revelou o papo no descanso. “Fizemos esse ajuste, melhoramos. As substituições também melhoraram, a equipe ficou mais fresca. Foi um jogo difícil, calor, a equipe deles nos causou algum desconforto, mas como sempre lutamos até o fim”, comemorou.

Antes de falar sobre o cruzamento com o Botafogo nas oitavas, o treinador ressaltou o espírito de luta do time alviverde: “O que valeu, sobretudo no segundo tempo, foi o nosso espírito: lutar sempre até o fim. Fomos premiados por isso. Poderíamos até ter vencido no último segundo, mas o primeiro objetivo foi cumprido, que era estar na próxima fase”.

Buscar a igualdade e avançar em primeiro significa fugir de um mata-mata com o poderoso Paris Saint-Germain. Mas nada de moleza no próximo jogo. O rival das oitavas será o Botafogo, sábado, (28), às 13 horas (horário de Brasília), na Filadélfia. E Abel prevê um duelo equilibrado.

“Agora, vamos para o mata-mata. São dois times que se conhecem bem, com uma tradição muito próxima. Temos lutado, principalmente nos últimos dois anos, por objetivos semelhantes”, frisou, sobre a rivalidade no Brasileirão — os paulistas ganharam em 2023 e os cariocas no ano seguinte, em disputa entre ambos.

“Vamos fazer o que sempre fazemos. É preparar bem a nossa equipe para esse jogo, descansar os jogadores agora e dar os parabéns a eles porque o nosso objetivo foi alcançado, de passar em primeiro lugar”, concluiu.

O jogo

Ter feito o seu pior primeiro tempo no Mundial custou caro ao Palmeiras. Mal em quase todos os aspectos, o time de Abel Ferreira não funcionou nos 45 minutos iniciais. Não foi dominado, mas não jogou, e cometeu uma série de erros tolos, ofensiva e defensivamente.

O pior deles foi o que resultou no gol de Allende, que disparou livre do meio de campo após pivô de Suárez até a grande área até marcar. Gómez errou o bote e Murilo ainda se machucou ao tentar correr atrás do meia-atacante. Uma falha gravíssima para um time que tem ambição de ir longe no Mundial.

Com exceção de Flaco López e Facundo Torres, que muito brigaram na frente, o ataque palmeirense não existiu. Raphael Veiga, que tem a preferência de Abel, mas não tem justificado a sua escalação, foi nulo. Não produziu e tornou lento o meio de campo palmeirense, que sentiu falta de Aníbal Moreno, machucado. Lucas Evangelista, o substituto, foi outro a fazer péssima apresentação no Hard Rock Stadium. Um chute de Facundo que passou rente à trave foi apenas o que produziu o time de Abel Ferreira na etapa inicial.

O segundo tempo palmeirense parecia que seria quase tão ruim quanto o primeiro. Não só não encontrou espaços como deixou Messi e Suárez à vontade para jogar, um erro que custa caro, evidentemente. Allende teve nova chance para marcar em lance parecido e não fez.

Mas Suárez fez — e foi um golaço. Ele nem costuma precisar de muito espaço para ir à rede, mas a defesa palmeirense, em noite infeliz, facilitou para o uruguaio, que driblou Bruno Fuchs e venceu Weverton com um chute forte, de canhota.

Incomodado, Abel Ferreira mexeu na equipe de uma forma que poucas vezes faz. Encheu a equipe de atacantes e viu melhora. De quase entregue, o time reagiu e buscou o empate com alma.

Foram dois reservas que deveriam ser titulares que transformaram a equipe e anotaram os gols de empate: Paulinho, após bonito passe de Allan, e Maurício. Os gols inflamaram a torcida, que cantou alto atrás de um dos gols e saiu aliviada e feliz com o empate.

* Com Estadão Conteúdo.