Irmã diz que idoso foi assassinado, mas polícia aponta para morte natural
O Serviço de Inteligência do 26º Batalhão até já apurava informações de pessoas que estiveram na região
A Polícia Militar recebeu uma ligação informando que um idoso teria sido assassinado a pauladas na manhã desta segunda-feira, 5 de maio, em um sítio em Ribeirão São José, zona rural de Itabira. A informação chegou à Central de Operações da Polícia Milita por volta das 9h. A vítima seria Osório Francisco de Freitas, de 78 anos. Após mal entendido, constatou-se que o idoso faleceu de morte natural.
Os militares foram até o endereço de um familiar que os levariam ao local onde o idoso teria sido assassinado. A suposta vítima morava com a irmã Olária de Freitas, de 88 anos. A informação da mulher era de que ela estava na casa e viu o assassinato. Debilitada, Olária, que tem problemas de saúde, foi para a estrada tentar ajuda. Ela encontrou Sebastião Cabral que ia até a o sítio buscá-los para receber pagamentos no centro de Itabira.
Sebastião contou que encontrou a idosa desesperada e pedindo socorro. Eles seguiram para Itabira para contatar os familiares e a Polícia Militar. A irmã de Osório disse que homens entraram na casa e pediram todo o dinheiro. Eles teriam assassinado o idoso e fugido em um veículo branco. Não havia testemunhas do crime.
O Serviço de Inteligência do 26º Batalhão até já apurava informações de pessoas que estiveram na região e levantava alguns nomes conhecidos do meio criminal, mas averiguações da Polícia Civil apontaram para uma confusão da irmã. No local, o perito criminalista Marcus Vinícius detectou que as portas da entrada da casa estavam arrombadas, porém, Ozório não tinha marcas de ferimentos na cabeça como Olária afirmava.
O delegado Juliano Alencar, juntamente a alguns detetives, entenderam que tudo não se passava de um mal entendido e que o idoso teve morte natural e que as portas foram arrombadas pela própria irmã dele, que, apavorada, tentou buscar socorro.
Leia, a seguir, comunicado do delegado a respeito da ocorrência:
Uma equipe da Polícia Civil composta pelo Delegado Juliano Alencar e os Investigadores Pedro e Nardele compareceu ao local do fato veiculado como latrocínio, que teria vitimado Osorio Francisco Freitas, de 78 anos. Informações preliminares davam conta de que o idoso teria falecido após ser agredido por três autores que chegaram ao sítio em um veículo branco.
Em conversa com o Perito Criminal da Polícia Civil Marcus Vinicius, este nos informara que o corpo da vítima não apresentava qualquer sinal de ter sofrido violência, ao contrário do que vinha sendo veiculado acerca de sua morte a pauladas. O Perito ainda nos informou que havia sinal de arrombamento na residência, e que os objetos encontravam-se espalhados.
No entanto, ao chegar ao local, a equipe constatou várias incongruências que indicam ter o idoso falecido por causas naturais.
Primeiramente, nos causou estranheza a ausência de sinais externos de agressão física na vítima diante do relato de que esta fora agredida a pauladas.
A vítima encontrava-se no chão envolta em um cobertor, nos sendo informado que sua irmã, uma idosa de 88 anos que encontrava-se no local, o cobrira, acreditando que este passava frio deitado ali. Esta idosa seria a única testemunha dos fatos e quem teria relatado a conduta criminosa.
Ao analisarmos a porta supostamente arrombada, percebemos que o reboco lateral desta, que teria cedido no momento do arrombamento, encontrava-se espalhado pelo chão. No entanto, a porta, que é extremamente frágil, encontrava-se intacta, bem como a fechadura, que estava sem a chave. Não havia qualquer sinal de que, após a queda de tal reboco, a porta tenha sido utilizada, demonstrando-se que este caiu após a última vez em que fora aberta. O único indício de arrombamento da porta era a trava do fecho desta, caída ao solo e a alguma distância, mas inteira e sem sinal de que fora forçada.
Muitos objetos na casa encontravam-se amontoados, mas não pareciam ter sido revirados por qualquer pessoa, mas sim dispostos daquela maneira pelos próprios moradores. Adentramos no quarto da vítima e em breve vistoria no local, muito sujo e desorganizado, encontramos pouco mais de R$4.000,00 em dinheiro, espalhado em diversos pontos de fácil acesso, sob roupas e dentro de livros.
Saliente-se que a propriedade possui vários cães de porte médio, e que nenhum destes aparenta qualquer lesão característica de agressão por parte dos supostos autores durante a execução do crime, sendo extremamente provável que os animais defendessem o local e seus donos.
Questionamos moradores da região que conheciam a vítima e sua irmã e estes relataram que ambos possuíam saúde debilitada, sendo que viriam a Itabira para um tratamento na manhã desta segunda feira. Ressaltaram ainda que a irmã, com dificuldades de locomoção e raciocínio em razão da idade, encontrava-se em Itabira com parentes e bastante abalada.
Osório fora vítima de uma tentativa de roubo há pouco mais de dois anos, quando um indivíduo da região fora ao sítio com um simulacro de arma de fogo, mas reagira e conseguira espantá-lo com uma foice.
Assim, diante da ausência de sinal real de violência no corpo da vítima, principalmente compatível com os fatos noticiados, ausência de subtração de qualquer bem ou valor que encontravam-se facilmente acessíveis, ausência de sinal real de arrombamento na residência, e pouca credibilidade das informações de que o delito ocorrera, entendemos, ab initio, que a morte ocorreu por causas naturais.
Pedimos cautela à imprensa na divulgação de delitos como este, pois a análise superficial de locais de crimes violentos, sem o conhecimento técnico necessário, pode ensejar em grande alarde e repercussão social.
Será instaurado Inquérito Policial para completa elucidação dos fatos, pois ainda aguardamos o Laudo Necroscópico da Medicina-Legal determinando a causa mortis, que será avaliada também com base no histórico médico da vítima.
Novas informações serão trazidas a público assim que aportarem nesta Delegacia de Polícia, quando sua divulgação não for contrária ao interesse da investigação.
Atenciosamente,
Juliano Alencar
Delegado Adjunto de Polícia Civil de Itabira