Afeganistão decreta luto em memória das vítimas de deslizamento de terra
Mulher afegã chora pela perda de sua família no deslizamento de terra que atingiu o distrito de Argo
O governo do Afeganistão decretou luto oficial neste domingo (4) em memória das mortes causadas pelo deslizamento de terra ocorrido na sexta-feira no nordeste do país. O governador da província de Badakhshan, no Afeganistão, disse no sábado (3) que o número de mortos pode ter ultrapassado os 2 mil. A missão da ONU no Afeganistão disse que mais de 350 pessoas foram mortas – que é o número de corpos encontrados – e a organização baseada em Genebra Internacional para as Migrações (OIM) fala em 2.700 mortos ou desaparecidos.
De acordo com um comunicado oficial, as bandeiras ficarão a meio mastro ao longo do dia em território afegão e nas representações diplomáticas no exterior. As autoridades decretaram o dia de luto horas depois de os trabalhos de resgate serem interrompidos. A situação frágil no local fez com que as buscas se tornassem muito arriscadas. A encosta instável acima da região do deslizamento poderia cair novamente, colocando em risco os desabrigados e as equipes de resgate que trabalhavam.
Inicialmente, os moradores e algumas dezenas de policiais, equipados apenas com ferramentas básicas de escavação, retomaram a busca no início do dia, mas logo ficou claro que não havia esperança de encontrar sobreviventes enterrados na lama profunda e escombros.
De acordo com os registros oficiais do país, o desastre da sexta-feira só foi superado pelo terremoto que assolou em 1998 a província de Takhar, no norte afegão, que causou a morte de pelo menos 3.500 pessoas.
Ajuda aos sobreviventes
Segundo as Nações Unidas, o foco do trabalho agora é na ajuda aos mais de 4 mil desabrigados, seja diretamente pelo deslizamento de terra ou porque tiveram de sair de suas casas como precaução por suas aldeias estarem em risco. Já a OIM aponta que mais de 14.000 pessoas foram afetadas.
De acordo com organizações internacionais e oficiais do governo afegão, pelo menos 300 casas foram soterradas pela lama com o deslizamento de sexta. Já o número exato de mortos é difícil de ser apurado nesta região pobre na fronteira com o Tajikistão.
"A escala deste deslizamento de terra é absolutamente devastadora, com uma vila inteira praticamente apagada", disse o chefe da missão do OIM no Afeganistão, Richard Danziger. "Centenas de famílias perderam tudo e estão em imensa necessidade de ajuda."
As principais necessidades no local são água, remédios, alimentos e abrigo de emergência, disse o porta-voz da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão, Ari Gaitanis.
Centenas de pessoas acamparam durante a noite em condições próximas de zero, alguns deles em tendas que foram distribuídas.
"Conseguimos obter uma escavadeira para a área, mas escavação parece ser impossível", disse Abdul Qadeer Sayad, chefe de polícia adjunto de Badakhshan, à Reuters. Ele disse que, por conta do tamanho da área afetada e da profundidade da lama, apenas máquinas modernas poderiam ajudar.