Deputados tentam amarrar anistia à votação do IR para pressionar o governo
A isenção do IR é uma das principais pautas do governo Lula para melhorar sua imagem e disputar a reeleição em 2026.
Parlamentares do Centrão têm se organizado para garantir a votação do texto que propõe a isenção do IR (Imposto de Renda) a quem ganha até R$ 5 mil.
A votação do IR está travada na Câmara dos Deputados, o que levou a ministra das Relações Institucionais, Gleise Hoffmann (PT) a conversar com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), pedindo prioridade ao projeto, que confirmou compromisso com a proposta, mas deixou claro que “ainda não tem data certa para votar”.
O governo quer o projeto aprovado ainda em setembro.
Partidos do Centrão avaliam que “não há clima” para votar a isenção do IR diante da pressão pela anistia e que, se o texto for pautado agora, não há como controlar futuras modificações.
Arthur Lira (PP-AL), relator da proposta, garante manter a originalidade do texto conforme foi aprovado na comissão especial que analisou o tema.
O PL pretende apresentar destaques para a retirada da taxação dos super ricos.
O relatório aprovado pela comissão especial prevê a aplicação de uma taxa mínima para quem ganha a partir de R$ 600 mil por ano, com a alíquota tendo uma progressão que pode chegar a 10% para rendimentos acima de R$ 1,2 milhão por ano.
Os parlamentares afirma que a ideia está ganhando fôlego em outros partidos que tem alas de oposição ao governo, como o União Brasil, e que defendem a anistia.
Partidos que compõem o Centrão defendem incluir a anistia na ordem do dia, o que poderia fazer com que a oposição desistisse de derrubar a compensação.
A proposta de votação do tema ganhou força com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado.
A Federação União Brasil-PP apoia a proposta do Centrão.
Sóstenes Cavalcanti, líder do PL confirma que foi abordado sobre o assunto, mas que não vai abrir mão de tentar derrubar a compensação do IR em troca de pautar a proposta de anistia.
A isenção do IR é uma das principais pautas do governo Lula para melhorar sua imagem e disputar a reeleição em 2026.
É consenso que mesmo a oposição não vai votar contra o benefício, mas há interesse de algumas alas em deixar a compensação para o “próximo governo,” mas a oposição tem pressa tem pressa em conseguir emplacar a urgência e o projeto ainda na próxima semana, após a absolvição ou condenação de Bolsonaro.
Motta tem sido pressionado por governistas e oposição e tem sido alertado por conselheiros mais moderados a não contrariar o STF.
O presidente da casa tem teto de vidro, com funcionários fantasmas e rachadinha. Sua cidade, Patos, no sertão da Paraíba, é alvo da Polícia federal por suspeitas de desvios e fraudes de emendas parlamentares e é governada por seu pai, Nabor Wanderlei (Republicanos).
O governo espera que a proposta seja barrada no Senado e o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) trabalha um texto alternativo que agrade ao STF e ao governo.
Alcolumbre é contra a anistia a Jair Bolsonaro.
*Fonte: UOL




