Moradores da Vila Amélia temem que igreja e bairro sejam engolidos por cava de mina da Vale

Um projeto de expansão proposto pela Vale levará a borda da cava de mineração a 200 metros da Igreja Nossa Senhora de Fátima

Moradores da Vila Amélia temem que igreja e bairro sejam engolidos por cava de mina da Vale
Itabiranos temem que igreja Nossa Senhora de Fátima e todo o Bairro Vila Amélia sejam engolidos pela Vale. Foto: Ramon Bitencourt
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A comunidade da Vila Amélia recebeu, na segunda-feira (15), uma visita da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O objetivo foi ouvir a população sobre os danos causados pela exploração de minério de ferro realizada pela Vale. O bairro foi a segunda parada da visita realizada no município, onde os moradores já veem seus imóveis se desvalorizarem. 

“Estou sem água desde sábado. Ela chega, mas não sobe. Não consigo alugar minha casa por isso. Nossos imóveis vão desvalorizar porque as partes mais altas do bairro não tem água”, denunciou a moradora Célia Castro, ao falar sobre o problema no abastecimento de água. Além do desabastecimento, as queixas incluem excesso de poeira e problemas de saúde física e mental. 

Tudo isso é mais grave no bairro porque ele é o que fica mais próximo a uma cava: a Mina Periquito, uma das que compõem o complexo das Minas do Meio. O grande medo dos moradores, no entanto, é com o projeto de expansão proposto pela Vale, que levará a borda da cava a uma distância de apenas 200 metros da Igreja Nossa Senhora de Fátima.

“Um grande problema é o adoecimento mental: eu vou continuar morando aqui até quando?”, afirmou a irmã Silvia Aparecida Batista, freira da Congregação Filhas do Sagrado Coração de Jesus. “Tudo isso tende a acabar…”, lamentou, apontando para a igreja e todo o bairro. “Está se criando pânico entre os moradores. Esta comunidade faz parte da história religiosa da cidade, e o mais cruel que a mineradora faz é não vir conversar”, disse a freira.

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Foto: Ramon Bitencourt

O avanço da cava em direção ao bairro está registrado nos mapas do estudo de impacto que compõe o Pedido de Anuência da Vale ao Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema).  Esse processo ocorreu entre fevereiro e junho deste ano e acabou sendo aprovado.  

Um dos conselheiros na época e membro do Comitê Popular dos Atingidos pela Mineração em Itabira, Leonardo Ferreira Reis disse que foi a primeira vez na história da cidade que quatro dos conselheiros votaram contra um projeto da Vale. Além dele próprio, representando a sociedade civil, também votaram contra os representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Câmara de Vereadores e da Secretaria de Saúde. “Este último justificou que o custo da saúde municipal vai aumentar, com um maior adoecimento da população”, afirmou Reis.

O processo de licenciamento para expansão das instalações da Vale em Itabira não tramita no escritório local da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam). Por ser considerado estratégico, o Governo do Estado determinou que ele seja conduzido pela Superintendência de Projetos Prioritários (Suppri) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Ela foi criada para agilizar o licenciamento desses empreendimentos.

A Semad também analisa em Belo Horizonte o processo para a renovação do licenciamento para operação geral da Vale em Itabira, vencido há 12 anos e em renovação automática desde então, segundo a deputada Bella Gonçalves. Por esse motivo, a parlamentar vai propor uma visita à Semad, na Capital. 

“Como é que você vai expandir a mineração, sendo que não existe análise de impacto ambiental para renovação da operação que já acontece e que tem precarizado tanto a saúde, o acesso à água e a qualidade de vida no campo e na cidade aqui de Itabira?”, disse a deputada Bella Gonçalves (PSOL). 

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