Mina de Piçarrão voltará à atividade após três décadas

A extração de minério na mina que fica em Nova Era ocorreu entre 1976 e 1985

Mina de Piçarrão voltará à atividade após três décadas
A mina de Piçarrão, em Nova Era, deverá voltar à atividade no próximo ano, após quase três décadas paralisada. O complexo de minério de ferro, que pertencia à Vale, será reativado pela mineradora Minas Global, que inciará o processo de licenciamento da jazida em breve.

A extração de minério na mina ocorreu entre 1976 e 1985. O projeto foi desenvolvido pela então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).

De acordo com o presidente da mineradora, Gary Miron Stephen, a produção na mina de Piçarrão deverá ser de 300 mil toneladas/ano de minério de ferro. Porém, o volume de investimentos para reativar as operações ainda não foi definido.

Ele explica que o projeto ainda depende da obtenção do Guia de Utilização (GU), concedido pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Este documento consiste em uma autorização, em caráter excepcional, para a extração de minerais durante a fase de pesquisa até a concessão da lavra.

Além disso, conforme Stephen, a empresa está preparando os documentos para iniciar o licenciamento ambiental do empreendimento. A mineradora entrará em breve com o pedido de licença prévia (LP) junto ao Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Sustentável (Semad).

O empresário informa que a empresa já conta com um bom conhecimento geológico da área. Ele estima que as reservas possam ser de aproximadamente 60 milhões de toneladas de minério.

Somente nas áreas em que a Vale realizou estudos entre as décadas de 70 e 80 foi identificada uma reserva de 37,1 milhões de toneladas. Deste total, ainda restam cerca de 18 milhões de toneladas que não foram lavradas pela companhia, de acordo com ele.

Além disso, segundo Stephen, ainda restam cerca de 200 hectares que não foram pesquisados, onde poderá conter grande parte do minério.

Outro fator que deverá elevar as reservas é a pilha de estéril da mina de Piçarrão. Estima-se que sejam 15 milhões de toneladas de minério com teor entre 20% e 40%. "Na época em que a Vale lavrava na mina, este material era considerado lixo", explica. Atualmente, com as novas tecnologias de concentração, este mineral poderá ser comercializado.
 

Parceiros – Questionado sobre a compra de equipamentos para a reativação da mina, Stephen explicou que, entre as estratégias da empresa, está a busca de acordos com mineradoras que estão com alguns bens parados, como, por exemplo, plantas de beneficiamento móveis.

A Minas Global adquiriu a atual área da mina de Piçarrão em outubro do ano passado. Conforme o empresário, este ainda é o único projeto da empresa. (Rafael Tomaz/Diário do Comércio)