Ambulantes fazem da rua seu ambiente de trabalho

Há vários anos Fernando de Souza (blusa cinza), de Belo Horizonte, produz vassouras e kits de limpeza

Ambulantes fazem da rua seu ambiente de trabalho

“Duas vassouras, um rodo, olha a vassoura”. Quem nunca ouviu o repetitivo jingle pelas ruas da cidade, seguido por vendedores com os aparatos domésticos? Pois o marketing dos ambulantes tem dado certo entre a clientela de Itabira e região. Há vários anos, Fernando de Souza, de Belo Horizonte, produz vassouras e kits de limpeza. Ele e alguns colegas vieram para a cidade buscando ampliar a gama de clientes. Em seu carrinho ele comercializa itens de fabricação própria e também comprados. A estratégia de vendas, além de chamar a atenção de curiosos possíveis clientes, também atrai o público mirim. “As crianças cantam e dançam a música”, diz Fernando.

Ele declara que com o aumento no preço dos insumos, também teve que aumentar o valor dos kits, que antes eram de R$10,00 e passaram a R$12,00. O ‘empresário das vassouras’ conta que atualmente são comercializados aproximadamente 150 kits por dia, porém, em épocas melhores já chegou a vender cerca de 250. Pelo que parece, mesmo com o aumento nos preços e aparente redução nas vendas, o mercado ainda é bem atrativo, já que o grupo de vendedores é composto por trabalhadores que deixaram outras ocupações para se dedicar exclusivamente à venda dos produtos nas ruas. Entre ex-açougueiros, carpinteiros, pedreiros e serventes, Fernando brinca: “Dá para sobreviver ainda. Olha a vassoura”.

Sem pensar em aposentadoria, outro ambulante que adotou a rua como ambiente de trabalho é Dionísio Moreira, natural de Vitória da Conquista, conhecido por Baiano. Se bom-humor é uma estratégia para atrair clientes, pelo visto, tem dado certo. Em 2001, Baiano montou sua pequena banca de variedades na calçada da Avenida João Pinheiro. Em seu “comércio”, ele vende CD’s, rádios, relógios, artigos eletrônicos e como ele próprio descreve, miudezas.

Baiano ainda se lembra da época em que fugia dos fiscais da prefeitura e das apreensões de suas mercadorias. “Foi muito sofrimento, penei para comprar e eles levaram tudo”. A instalação de seu ponto na avenida foi estrategicamente pensada. O motivo é o movimento no local. Ele conta que por dia, aproximadamente 20 pessoas compram algo na banca.  Nos últimos 12 anos, Baiano sobrevive e sustenta a família  por meio das vendas de seus produtos. “Gosto de trabalhar na rua, porque eu tenho que gostar do que eu sei fazer. É como uma planta, se você não tem amor a ela, com certeza ela morre” filosofa.

Informalidade

O país alcançou no mês de novembro de 2013 um total de 3,5 milhões de Microempreendedores Individuais (MEI) –aqueles com faturamento de até R$ 60 mil por ano. Desse total, segundo pesquisa recente do Sebrae, três em cada dez empreendedores vieram do mercado informal, pois mantinham algum tipo de negócio sem o devido registro, a grande maioria com mais de cinco anos na ilegalidade.

A pesquisa Perfil do Microempreendedor Individual 2013 mostra que aproximadamente 50% dos empreendedores que mantinham um negócio de maneira informal estavam nessa condição há mais de dez anos. “Todos esses dados revelam como a criação da figura do MEI e suas condições facilitadoras em termos de custo para abertura de uma empresa foram determinantes para dar cidadania empresarial a milhões de empreendedores”, analisa o presidente do Sebrae, Luiz Barretto. Além de trazer cidadania empresarial, a formalização representa também ganho econômico.  A expectativa de crescimento se baseia, em parte, nos resultados atuais. A pesquisa mostra que 68% dos MEI tiveram um aumento nas vendas depois da obtenção de seu Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). A gestão do negócio e as condições comerciais também apresentaram melhoras significativas. Por exemplo, para 78% dos entrevistados ficou mais fácil e melhor comprar de fornecedores por possuírem o CNPJ.