Profissionais que trabalharam no Festival Fala Quilombo questionam atraso no pagamento enquanto verba segue sem liberação; entenda

Produtora executiva afirma que cerca de 60 profissionais aguardam o repasse e que o processo segue em análise de mérito no Ministério da Igualdade Racial

Profissionais que trabalharam no Festival Fala Quilombo questionam atraso no pagamento enquanto verba segue sem liberação; entenda
Foto: Fala Quilombo

O atraso no pagamento de profissionais que trabalharam na produção do Festival Fala Quilombo, realizado entre os dias 26 e 28 de setembro em Itabira, tem gerado insatisfação e preocupação entre integrantes das equipes de audiovisual, fotografia e comunicação. O Festival foi uma iniciativa do Instituto Fala Quilombo, em parceria com a Universidade Federal de Itajubá (Unifei) Campus Itabira, e integra um projeto de extensão voltado à valorização das culturas negras, indígenas e quilombolas.

Quase dois meses após o evento, os trabalhadores que prestaram serviços na equipe de comunicação com fotografia e audiovisual, afirmam que duas previsões de pagamento foram descumpridas e cobram transparência, atualização e compromisso da organização.

Segundo relataram ao portal DeFato Online, o prazo inicial informado seria de 15 dias após o encerramento do festival. Diante do não cumprimento, a produção executiva teria repassado nova previsão para 10 de novembro, que também não se concretizou. A informação mais recente, enviada ao grupo de profissionais, indica que o repasse poderá ocorrer apenas em dezembro devido ao que chamaram de processo “extremamente lento e burocrático”.

Questionamentos da equipe

Os trabalhadores afirmam que o atraso ultrapassa o limite do planejamento pessoal e profissional. Um dos profissionais destacou que a situação compromete o pagamento de contas básicas e até a continuidade de outros projetos: “Essa situação está envolvendo questões pessoais e financeiras de todas as pessoas que contavam com o valor para quitar dívidas, pagar contas e se sustentar. Foram dados dois prazos e, até o momento, aceitamos e nos planejamos confiando no que foi repassado.”

Uma das pessoas ouvidas citou que precisou recorrer a empréstimo para cobrir despesas previstas: “Precisei recorrer a empréstimo para fechar minhas contas, pois contava com o pagamento previsto para 15 dias após o trabalho. Esse modelo de risco e atraso não foi alinhado previamente.”

Os profissionais também reclamam da falta de atualizações consistentes: “A ausência de atualização e a falta de clareza sobre como será realizado o pagamento trazem insegurança, além dos transtornos financeiros, que já são urgentes.”

Segundo o grupo, houve tentativas de negociação para verificar a possibilidade de pagamento parcial ainda em novembro, mas não houve retorno da produção.

O que diz a produção executiva

A produtora executiva do festival, Lidyane Souza, afirmou que o atraso está relacionado ao repasse federal destinado à execução do projeto. Segundo ela, cerca de 60 profissionais — incluindo pessoas quilombolas, indígenas e periféricas — aguardam o pagamento. Lidyane reforça que a verba está em fase de tramitação no Ministério da Igualdade Racial (MIR) e que a produção tem pressionado diariamente por avanços: “É o pagamento de aproximadamente 60 pessoas quilombolas, indígenas e periféricas que está previsto. Ainda que seja pouco o controle que temos, ele existe, e a cobrança tem sido diária por nossa parte.”

Ela explicou que o processo está na Secretaria Executiva do Ministério, em fase de análise de mérito, etapa anterior à liberação financeira. Na última quarta-feira, segundo informou, a secretaria solicitou um documento assinado pelo reitor da UNIFEI para sanar a última pendência: “A previsão depende da liberação desse documento. Saindo tudo dentro dos conformes, existe o indicativo de andamento até a próxima semana.”

A produtora afirmou ainda que, somente após o recurso ser repassado à Unifei, a organização terá acesso ao sistema que permite acompanhar o trâmite completo: “Até lá, os processos correm nos sistemas do Ministério, e por vezes não conseguimos repassar novas informações porque não temos acesso a elas. A comunicação não é imediata.”

Posicionamento da Unifei

O coordenador do projeto Fala Quilombo na Universidade, João Lucas da Silva, informou que a universidade ainda não recebeu a verba e que preferiu centralizar a comunicação com a imprensa por meio da produtora executiva, Lidyane Souza. Já a comunicação com os prestadores de serviços ficaria sob sua responsabilidade. Ele afirmou estar disponível para o agendamento de uma reunião, que ainda não ocorreu.

Ministério da Igualdade Racial

A reportagem entrou em contato com o Ministério da Igualdade Racial para esclarecer em qual etapa está o processo de liberação da verba, se existe prazo estimado para o repasse à Unifei e se houve entraves técnicos ou administrativos responsáveis pelo atraso. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestações.