Pais de mulher que forjou sequestro de bebê são monlevadenses
O pai da criança agora está com a guarda do filho. Renata confessou ter entregue a criança ao casal do Rio de Janeiro
A monlevadense Maria Aparecida Gomes Soares da Costa, moradora do bairro Teresópolis, é mãe de Renata Soares da Costa, 19, e contou com exclusividade ao Jornal A Notícia o drama vivido pela família. Renata está sendo acusada de ter forjado o sequestro do filho de apenas dois meses e ter entregue o bebê a um casal de adolescentes do Rio de Janeiro.
O fato aconteceu sábado (23), quando Renata saiu de sua casa, em Contagem, para ir ao Centro de Belo Horizonte. Ela relatou à Polícia que foi abordada por dois chineses e um homem armado, que a ameaçou e pegou o bebê de seus braços. A Polícia Civil do Rio de Janeiro localizou o bebê com um casal de adolescentes no bairro Vila Valqueire. De acordo com o delegado Eduardo Soares, da Delegacia Antissequestro (DAS) do Rio de Janeiro, em depoimento, eles confirmaram que a mãe biológica do bebê o doou, através de contato por um site.
A mãe, o pai da jovem, Paulino Ferreira da Costa, e o irmão estão em Contagem desde sábado dando apoio a Renata. Segundo Maria Aparecida, sua filha sofre de uma depressão pós parto muito forte e não tem como responder pelos seus atos. “Minha filha está doente. Ela é uma ótima mãe, cuida dele com muito carinho e muito amor. Ela nunca faria isso, se estivesse em seu estado normal de saúde”, relatou a avó da criança.
Maria Aparecida contou que recebeu a visita da filha no mês de outubro. Na ocasião, ela ficou onze dias hospedada na casa da mãe em Monlevade e se dedicava em tempo integral ao filho. “Eu não consigo acreditar no que está acontecendo. Ela esteve lá em casa com ele, e eu vi como ela cuida dele com o maior carinho do mundo. Ela não está bem. E nós estamos sofrendo junto com ela. Está muito difícil enfrentar essa situação”, afirmou. “As pessoas estão julgando a minha filha como uma criminosa. Se eu soubesse que ela estava doente teria tentado ajudar, mas nem o marido dela percebeu a situação”, completou Maria.
A família está na casa de Renata, em Contagem, para acompanhar as investigações em Belo Horizonte. “Não sou médico para falar isso, mas acredito que é uma depressão. Ela está com os olhos muito fundos desde antes de acontecer isso. É complicado, ela vinha reclamando há dois meses que se sentia muito sozinha. Após o marido ir trabalhar e o neném dormir, ela ficava olhando para as paredes”, declarou o avô da criança, Paulino, ao portal de notícias R7.
A avó da criança relatou que não vê a filha desde sábado, quando ela foi detida. “Agora só a advogada está em contato com ela. Quando imagino minha filha naquele lugar, me dá uma grande angústia, eu não consigo dormir nem comer, desde que ela foi detida”, disse. “O meu neto está sendo levado na penitenciária todos os dias para ser amamentado. Esse contato com ele está ajudando a minha filha a segurar as pontas, até a advogada conseguir o habeas corpus”, completou. Maria Aparecida contou ainda que o neto está com o pai, Johney Lima Santos Nulhia, 24, na casa de parentes em Betim. “O neném chora muito, está sentindo muita falta da mãe, eles são muito apegados”, disse a avó.
Renata está presa no Complexo Feminino Estevão Pinto, no bairro Horto, em BH. De acordo com o delegado Bruno Wink, de Belo Horizonte, Renata trocou dezenas de e-mails com a mulher que recebeu a criança. Impressas, as mensagens ocupam cerca de 100 páginas. As investigações apontam que o pai não teria envolvimento com o caso. Se ficar comprovado que houve a entrega do bebê em troca de dinheiro, Renata pode ficar presa por até 7 anos. O casal do Rio de Janeiro que recebeu a criança também está sob investigação das autoridades mineiras e fluminenses. (A Notícia)