Pelo menos 16 desfiles de Belo Horizonte contarão com planos específicos para gestão do risco de superlotação durante o Carnaval da Liberdade 2026. Para enfrentar o desafio dos chamados “hiperpúblicos”, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) estruturou uma operação que une tecnologia, planejamento prévio e presença estratégica nas ruas.
Minas Gerais é um dos poucos estados do país que possuem uma Instrução Técnica exclusiva voltada à segurança contra incêndio e pânico em eventos carnavalescos. Com base nesse protocolo, o CBMMG monitora, especialmente nos blocos com mais de 100 mil pessoas, situações de perda de mobilidade individual e potencial esmagamento.
Além disso, a corporação posiciona bombeiros militares nos trios elétricos e utiliza drones para identificar bolsões de compressão. Caso necessário, as equipes poderão realizar intervenções sonoras para orientar o público e reduzir riscos.
Planejamento começou antes da folia
O trabalho preventivo começou muito antes dos primeiros cortejos. Após mais de 670 reuniões entre bombeiros, organizadores de blocos e órgãos públicos, a capital confirmou cerca de 600 blocos para 2026. Nesse cenário, as equipes vistoriaram previamente cada trajeto, analisando a compatibilidade das vias com o público estimado, a distância de isolamento dos trios e os itens obrigatórios de segurança contra incêndio e pânico.
Dessa forma, o planejamento passou a ser orientado por risco e baseado em dados operacionais acumulados nos últimos anos, acompanhando o crescimento do Carnaval de rua em Minas.
Gerenciamento do risco por faixas de público
Para organizar a atuação, o CBMMG definiu eixos de resposta conforme o tamanho estimado dos desfiles.
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Acima de 10 mil pessoas: os blocos passam por vistorias durante a concentração.
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Acima de 50 mil foliões: bombeiros militares assumem a coordenação das brigadas, organizam equipes de saúde e gerenciam o fluxo de ambulâncias.
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Acima de 100 mil pessoas: a corporação realiza monitoramento aéreo permanente e posiciona militares no Posto de Comando e nos trios elétricos.
O fluxo de informações ocorre em tempo real e integra dados de equipes em campo, drones e câmeras. Com isso, os bombeiros podem validar riscos por múltiplas fontes antes de decidir qualquer intervenção.
Como funciona o monitoramento
Entre as principais ações estão:
Monitoramento permanente
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Militares no trio elétrico para leitura direta da densidade da multidão;
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Drones para identificar bolsões de compressão;
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Integração com Posto de Comando e órgãos parceiros;
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Validação de informações por diferentes equipes.
Identificação de sinais de risco
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Densidade igual ou superior a seis pessoas por metro quadrado;
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Perda de mobilidade coletiva;
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Ondas de pressão (efeito dominó);
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Bloqueio de rotas laterais;
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Dificuldade para retirada de vítimas.
Medidas previstas em caso de risco
Se os bombeiros identificarem sinais críticos, poderão adotar medidas imediatas. Entre elas estão:
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Redução do som do trio elétrico;
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Comunicação clara, calma e orientada pelo locutor ou artista, sob coordenação do CBMMG;
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Orientação para uso de vias laterais;
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Proibição de termos que gerem pânico;
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Interrupção do avanço do trio para cessar a pressão;
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Abertura de gradis e vias transversais;
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Retirada de obstáculos físicos;
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Atuação conjunta com Polícia Militar de Minas Gerais, órgãos de trânsito, brigadistas e produção do evento;
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Uso de barreiras humanas para direcionamento do fluxo.
Além disso, viaturas de resgate, salvamento e combate a incêndio permanecerão posicionadas nos grandes cortejos para garantir resposta imediata.
Com planejamento orientado por risco, tecnologia e presença operacional estratégica, o CBMMG busca assegurar que, em meio à multidão e à festa, o Carnaval de 2026 também seja marcado pela segurança em todo o território mineiro.