Os aposentados José Adriano Costa e Delfina Fernandes Costa reuniram a família, no dia 27 de setembro, em Itabira, para festejar uma data muito importante: 75 anos de casados. As Bodas de Brilhante foram comemoradas durante uma confraternização que reuniu aproximadamente 100 pessoas e muitas histórias.
José Adriano tem 98 anos, Delfina, 95. Os frutos do casamento são os nove filhos vivos, inúmeros netos e até bisnetos – dois a caminho. O sentimento entre o casal surgiu ainda na pré-adolescência, em 1929, quando ela tinha apenas 11 anos e ele 14. Começava ali uma paquera, aos moldes da época.
Delfina, que dava aulas na fazenda Bolívia, em Passabém, ao seguir para a escola, era alvo dos olhares admirados daquele que se tornaria seu marido. Aos risos e sob o olhar da esposa e da filha Alda, seu José conta: “Eu subia na janela da escola para ver ela. Saltava até córrego para ir onde ela estava”.
Ao perceber o flerte dos jovens, a família do espevitado José, que era muito festeira, sempre dava uma “mãozinha” ao destino, preparando bailes para que os apaixonados pudessem dançar juntos (único momento de aproximação, sob supervisão dos pais de ambos). “Nossa família era amiga. Esse era o único tempo que eu tinha oportunidade de abraçar ela”, relembra.
Na época, pegar na mão não era nada comum. Beijar então, nem pensar. “No namoro, nem pegava na mão, era só conversa. A gente só podia andar perto do outro”, confessa a esposa. O primeiro beijo foi somente no dia do casamento, no altar, quando o padre deu a permissão. Para a cerimônia, Delfina andou a pé cerca de 1h30, de Passabém a São Sebastião do Rio Preto. Na época, José já era bastante disputado pelas moças, por ser vaidoso e se vestir bem, como conta a esposa.
Mais de sete décadas depois, o casal continua inseparável. Moram com eles um filho, uma filha e o genro. Com uma vitalidade invejável, os dois não param quietos e arrancam boas gargalhas com histórias hilárias.
Sobre o casamento duradouro, com autoridade de quem tem experiência sobre o assunto, o casal garante não haver fórmula mágica. Alguns cuidados, contudo, são essenciais: “Não pode falar palavras para ofender o outro”, diz o marido. “Tem que saber conviver bem, não pode brigar. Nós compreendemos o outro, graças a Deus. Tem que haver respeito”, completa a esposa. São as vozes da experiência.