Cruzeiro e Atlético empatam em clássico quente e trocam acusações após lance polêmico

Antes mesmo de o clássico ganhar emoção com os gols, um lance aos primeiros minutos provocou preocupação e terminou em uma forte discussão entre os clubes

Cruzeiro e Atlético empatam em clássico quente e trocam acusações após lance polêmico
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Cruzeiro e Atlético-MG ficaram no empate por 1 a 1, nesta terça-feira (25), no Mineirão, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil. Em um clássico marcado por disputas intensas, gols no segundo tempo e um lance que levou o zagueiro Ruan Tressoldi ao hospital, as equipes deixaram a definição da vaga para a próxima semana.

Depois de um primeiro tempo truncado e com poucas oportunidades, o Cruzeiro abriu o placar aos 14 minutos da etapa final. Arroyo recebeu espaço e acertou um belo chute de efeito de fora da área, mandando a bola no ângulo de Everson. A vantagem celeste, porém, durou apenas dez minutos. Aos 24, Cuello encontrou Renan Lodi com um belo passe. O lateral atleticano bateu entre a trave e o goleiro Otávio e deixou tudo igual no Mineirão.

O resultado mantém o confronto completamente aberto. Cruzeiro e Atlético voltam a se enfrentar na próxima terça-feira (1º), às 21h, na Arena MRV. Quem vencer garante uma vaga nas semifinais da Copa do Brasil. Em caso de novo empate, a classificação será decidida nos pênaltis.

Lance no início do jogo gerou troca de acusações

Antes mesmo de o clássico ganhar emoção com os gols, um lance aos primeiros minutos provocou preocupação e terminou em uma forte discussão entre os clubes. Kaio Jorge disputou uma bola pelo alto com Ruan Tressoldi. O atacante cruzeirense virou de costas no momento em que o defensor atleticano saltava para cabecear. Ruan acabou atingindo o gramado de forma brusca, com o pescoço e o rosto, e precisou receber atendimento médico.

O zagueiro tentou permanecer em campo inicialmente, mas foi substituído pelo protocolo de concussão. No intervalo, deixou o Mineirão de ambulância e foi encaminhado a um hospital da região para a realização de exames. Segundo o próprio jogador, não houve complicações.

Após a partida, entretanto, o episódio ganhou novos contornos. Ruan criticou duramente Kaio Jorge em uma publicação nas redes sociais e classificou a atitude do atacante como desleal. “A diferença é simples: de um lado, quem compete na bola; do outro, quem procura vantagem na deslealdade. No fim, caráter também entra em campo – esse placar não mente. E o histórico desse mau caráter também. Fui encaminhado ao hospital, fiz exames e está tudo bem”, escreveu Ruan.

O executivo de futebol do Atlético-MG, Paulo Bracks, também questionou a jogada e afirmou que o lance deveria ser analisado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

“Acima de tudo, é um colega de profissional. Não tem rivalidade. Não é a primeira vez que esse cidadão faz isso, nem a segunda. Pra nós, ele foi maldoso, desleal”, afirmou.

“A gente poderia estar aqui, agora, falando de uma lesão grave na coluna. Pra nós, houve uma falhas da arbitragem, do VAR não ter chamado. O STJD precisa analisar se foi uma infração disciplinar. Pra nós, é. Não vamos aceitar.”

Do lado cruzeirense, o diretor Bruno Spindel rebateu as declarações. Segundo ele, as manifestações do Atlético tiveram como objetivo pressionar a arbitragem para o segundo jogo. O dirigente afirmou que o Cruzeiro confia no trabalho da CBF e da comissão de arbitragem. 

“Repudiamos a declaração da direção do nosso adversário, com o intuito de pressionar, manipular a arbitragem em tribunais e criar um clima ruim no próximo jogo. O Cruzeiro vai sempre querer decidir o jogo dentro do campo. A gente não vai aceitar esse tipo de conduta, confia na CBF, no trabalho da comissão de arbitragem, nos árbitros e no trabalho que vai ser feito para blindar os árbitros dessa pressão”, disse Spindel.

Dentro de campo, o duelo também foi marcado por muitas faltas, paralisações e discussões. O Atlético conseguiu neutralizar boa parte das investidas do Cruzeiro depois do empate, enquanto os donos da casa tiveram leve superioridade na posse de bola na reta final, mas não encontraram espaço para voltar a marcar.

O clássico terminou com 59.225 torcedores no Mineirão e renda de R$ 4.917.351,00. Agora, os rivais terão mais 90 minutos para definir quem seguirá vivo na Copa do Brasil.