Em entrevista para a Globo, Caiado promete anistiar os condenados do 8 de janeiro e evita perguntas comprometedoras
Caiado ignorou as tentativas de interrupção de Renata evitando olhar diretamente aos jornalistas
Segundo a participar da sabatina da Globo nesta terça-feira (25), o ex-governador de Goiás e candidato à presidência, Ronaldo Caiado (PSD), evitou responder a perguntas comprometedoras, detalhar planos e optou por se colocar como 3ª via. Questionado pelo jornalista César Tralli, sobre uma eventual anistia aos condenados do 8 de janeiro, Caiado se mostrou favorável a uma ‘anistia ampla, geral e irrestrita’ aos condenados pelo 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo ele, “para pacificar o Brasil”.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de reclusão, a princípio, em regime domiciliar.
Sem responder efetivamente, Caiado afirmou:
“O traço do brasileiro não é o de construir o ódio, de revanche eterno, isso é histórico no Brasil. Desde o império você tem anistia {…} O que eu quero dizer nesse momento é que nós precisamos acabar com essa polarização, temos que pacificar o país. Ninguém aguenta mais essa situação. Esse clima está criando, como sempre, esse processo de um contra o outro”.
O candidato afirmou que vai encaminhar ao Congresso Nacional um projeto para anistia geral e ampla. “Da mesma maneira, que, de forma especial, o STF (Supremo Tribunal Federal) concedeu ao presidente Lula”, e na sequência usou como referência Juscelino Kubitschek, que concedeu anistia em 1956 no mesmo propósito de pacificar o país.
Renata Vasconcellos, em seguida, ressaltou que “os anistiados de por Juscelino, oito anos depois, ajudaram a promover o golpe de 64”.
A observação de Renata foi ignorada pelo entrevistado, que reiterou a proposta de encaminhar o projeto de anistia ao Congresso, que irá deliberar sobre o assunto.
Questionado pelos âncoras da Globo, Renata e Tralli, sobre os que confirmaram a existência do plano Punhal Verde Amarelo, que tinha como objetivo o assassinato de Lula e seu vice-presidente Geraldo Alckmin, além do ministro Alexandre de Moraes, e quais seriam os efeitos de uma anistia a partir disso, ele evitou responder.
Caiado tem uma proposta de campanha de criar uma polícia unificada na América do Sul para combater o narcotráfico e, questionado como pretendia convencer governos a criarem uma polícia conjunta em um ano conturbado nas questões de soberania tão evidentes, com intervenções estrangeiras gerando instabilidade, como exemplo a invasão da Venezuela pelo governo Trump no início do ano, o candidato utilizou de frases de efeito, como “aqui é o resort do narcotráfico” e “o Brasil é a Disneylândia do narcotráfico”.
Caiado ignorou as tentativas de interrupção de Renata evitando olhar diretamente aos jornalistas.
“Eu vou criar uma polícia, que essa polícia vai poder entrar, desde que seja tratando de assunto de contrabando de armas, lavagem de dinheiro, drogas. Você não precisa ter limite. Você vai passar para outros países eles também terão toda a liberdade de adentrar o Brasil. Isso não compromete soberania”.
Caiado comparou sua ideia à Europol, agência de aplicação da lei da União Europeia que coordena o trabalho policial entre os 27 países integrantes do bloco continental no combate ao crime transnacional.
Tralli lembrou que a Europol não pode fazer prisões e só tem poder voltado ao compartilhamento de informações.
A dívida pública do país foi listada na pauta, mas Caiado usou a polarização entre Lula e o bolsonarismo para evitar a resposta sobre ajuste fiscal.
“Eles não fazem nada, tipo de homem que não serve para governar só faz populismo”. No decorrer da entrevista, ele fugiu de detalhamentos sobre a questão econômica e de apontar soluções. “Farei gestão”, disse.
Caiado evitou abordar o tema salário mínimo:
“O pobre coitado que tá ganhando um salário mínimo, vivendo de aposentadoria, deixa eles em paz, vamos mexer com eles não”.
Sobre a Previdência Social, o candidato também se esquivou nas respostas.
“Eu já não defini o macro? Então estou dizendo como vou fazer. Agora, essas situações todas…Vou priorizar o que? Combate à corrupção, salários extorsivos, desvios de verbas de emendas, trabalhar com relação à reforma administrativa”.
Nas considerações finais, Caiado pediu ao STF para “abrir o sigilo” do INSS, do caso Master e da operação Carbono Oculto. “Para que nos não fossemos enganados por pessoas envolvidas em graves crimes que amanhã pudessem ser eleitas”.
As entrevistas tiveram início com o candidato Romeu Zema (Novo), e após Caiado, na terça-feira (25), o entrevistado desta quarta-feira (26), é Renan Santos (Missão).
Na quinta-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na sexta-feira (28), Flávio Bolsonaro (PL).
No dia 29, sábado, Augusto Cury (Avante).