Pedro Guerra, do MDIC, cita infraestrutura, tecnologia e financiamento como caminhos para fortalecer mineração no Brasil
Também chefe de gabinete da Vice-Presidência da República, ele destacou avanços na ANM, investimentos em segurança e novas alternativas para financiar projetos do setor durante a abertura da Exposibram 2026
O fortalecimento da infraestrutura, da regulação, da tecnologia e das alternativas de financiamento foi apontado como parte da estratégia do governo federal para ampliar as condições de desenvolvimento da mineração brasileira. O tema esteve presente no discurso de Pedro Henrique Giocondo Guerra, chefe de gabinete da Vice-Presidência da República e assessor do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), durante a abertura da Exposibram 2026.
Ao abordar a estrutura necessária para dar suporte ao setor mineral, Guerra citou avanços em obras de infraestrutura e destacou a atuação da Agência Nacional de Mineração (ANM), que, segundo ele, passa por um processo de fortalecimento.
Entre as medidas mencionadas estão a contratação de novos servidores e um planejamento estratégico voltado à incorporação de tecnologia. O objetivo, conforme o representante do governo, é aprimorar diferentes áreas de atuação da agência. “Temos um processo de fortalecimento da ANM, a nossa agência reguladora, houve contratação de pessoal, seu planejamento estratégico é muito cuidadoso em prever investimentos em tecnologia”.
Pedro Guerra também relacionou esse processo ao aumento da segurança das barragens, ao acompanhamento das estruturas de disposição de rejeitos e ao aproveitamento desses materiais dentro de uma perspectiva de economia circular.
A inteligência artificial foi outro recurso citado no discurso. Segundo ele, a tecnologia deverá ser incorporada aos processos da ANM para aumentar a agilidade dos licenciamentos.
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Financiamento ainda é desafio
Outro ponto destacado por Guerra foi o acesso a recursos para investimentos no setor. Ele reconheceu que o financiamento continua sendo um desafio, mas afirmou que existem iniciativas em andamento para ampliar as possibilidades de atração de capital para o Brasil.
Entre elas, citou um fundo criado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES) em conjunto com a Vale, que, segundo o representante do governo, deverá funcionar como instrumento para atrair investidores. “O BNDES, juntamente com a Vale, Gustavo Pimenta, criaram um fundo que será uma alavanca para atrair investidores para o nosso país”.
Pedro Guerra também mencionou uma chamada pública para seleção de projetos e afirmou que outras fontes de recursos poderão ser utilizadas, entre elas o Fundo Clima e outros fundos estatais.
A estratégia apresentada durante a abertura da Exposibram combina, assim, investimentos em infraestrutura e regulação com tecnologia e mecanismos financeiros destinados a apoiar novos projetos.
Brasil busca posicionamento diante de cenário internacional instável
Ao final de sua fala, Pedro Guerra relacionou os desafios da mineração ao cenário internacional dos últimos anos. Ele citou guerras, conflitos e antagonismos como fatores que contribuíram para um ambiente de maior instabilidade no mundo e também dentro das sociedades.
Nesse contexto, afirmou que o Brasil vem adotando uma postura considerada estratégica e cuidadosa diante das transformações internacionais. “Nos últimos tempos nós tivemos que lidar com um mundo absolutamente instável guerras, conflitos, antagonismos extremos em todo o mundo e na nossa sociedade mas o Brasil ele tem se posicionado de maneira muito estratégica, muito cuidadosa”.
A manifestação aconteceu durante a abertura da Exposibram 2026, que reúne representantes do setor mineral para discutir os desafios e as perspectivas da atividade no Brasil.
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Exposibram 2026 amplia debate sobre o futuro da mineração
Realizada de 24 a 27 de agosto, no Expominas, em Belo Horizonte, a Exposibram 2026 reúne executivos, especialistas, autoridades e representantes de diferentes países em torno das transformações que estão redesenhando a indústria mineral. Entre os principais temas estão a disputa global por minerais críticos e estratégicos, as mudanças no mercado de commodities, os desafios de infraestrutura e a necessidade de ampliar o processamento mineral no Brasil.
A discussão ganha peso diante da crescente importância de minerais como cobre, lítio, terras raras, níquel e grafite, considerados essenciais para a transição energética, a eletrificação, o desenvolvimento tecnológico e a segurança das cadeias globais de suprimentos. O evento também aborda o Plano Nacional de Mineração 2050, inovação, sustentabilidade, licenciamento ambiental, mudanças climáticas, rastreabilidade e governança.
Além da programação técnica, a feira chega à maior edição de sua história, com mais de 750 expositores e uma área superior a 17 mil metros quadrados. Organizada pelo Ibram, a edição também marca os 50 anos do instituto e reúne empresas, investidores, pesquisadores e profissionais de diferentes segmentos da cadeia mineral.