André Viana destaca importância da Exposibram e cobra avanços para exploração de minerais críticos

Presidente do Sindicato Metabase de Itabira falou sobre os desafios do setor, o Plano Nacional de Mineração 2050 e a necessidade de ampliar a segurança jurídica

André Viana destaca importância da Exposibram e cobra avanços para exploração de minerais críticos
Foto: Reprodução/Vídeo

A Exposibram 2026 reúne, em Belo Horizonte, representantes das principais empresas, fornecedores, autoridades e lideranças do setor mineral para discutir os caminhos da mineração brasileira. No primeiro dia do evento, o portal DeFato Online entrevistou André Viana, presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região e conselheiro da Vale, que destacou a dimensão da feira e defendeu que o Brasil avance nas discussões relacionadas ao futuro da atividade.

Para André Viana, a Exposibram se consolidou como um dos principais momentos do calendário da mineração justamente por reunir, no mesmo ambiente, trabalhadores, empresas, fornecedores, poder público e lideranças nacionais e internacionais.

Ele ressaltou a dimensão econômica do setor e afirmou que a mineração representa uma das principais commodities da balança comercial brasileira. Na avaliação do dirigente sindical, embora existam divergências envolvendo questões ambientais, comunitárias e trabalhistas, a relevância econômica e social da atividade é inegável:

“É o principal evento do ano, aguardado pelos trabalhadores, fornecedores”.

André Viana também chamou atenção para a característica empresarial da feira. Além dos debates, painéis e discussões técnicas, ele destacou que a Exposibram funciona como espaço para negócios, inovação e apresentação de novas tecnologias.

Segundo o presidente do Metabase, a programação deste ano incorpora discussões relacionadas à inteligência artificial e à chamada mineração do futuro, aproximando o setor das transformações tecnológicas que já afetam diferentes áreas da economia.

Minerais críticos e o futuro da mineração brasileira

Entre os assuntos que, segundo André Viana, precisam ganhar espaço nas discussões do setor estão o Plano Nacional de Mineração 2050 e a regulamentação relacionada às terras raras e aos minerais críticos.

Ele considera que o Brasil precisa acelerar essas discussões para não perder espaço diante de países que avançam na exploração, processamento e domínio tecnológico desses recursos. André Viana citou a China e a Austrália como referências nesse cenário e destacou a posição estratégica das terras raras para a economia mundial.

Na avaliação dele, o Brasil possui uma grande reserva potencial de terras raras, mas ainda precisa avançar na industrialização e na tecnologia necessárias para transformar essa riqueza mineral em desenvolvimento:

“O Brasil não pode jamais perder o trem do futuro e eu diria que já está atrasado em alguns momentos”.

André Viana também defendeu que a discussão regulatória avance sem deixar de lado a responsabilidade socioambiental. Para ele, questões relacionadas à legislação, segurança jurídica e regulamentação precisam ser enfrentadas para permitir que o país amplie sua participação em um mercado que considera estratégico, inclusive para a transição energética.

O dirigente também relacionou o debate sobre o futuro da mineração à geração de empregos. Para ele, o desenvolvimento do setor não deve ser analisado apenas pela perspectiva da extração mineral, mas também pelas oportunidades econômicas e profissionais que podem surgir a partir de novas tecnologias e processos de industrialização.

Exposibram 2026 amplia debate sobre o futuro da mineração

Realizada de 24 a 27 de agosto, no Expominas, em Belo Horizonte, a Exposibram 2026 reúne executivos, especialistas, autoridades e representantes de diferentes países em torno das transformações que estão redesenhando a indústria mineral. Entre os principais temas estão a disputa global por minerais críticos e estratégicos, as mudanças no mercado de commodities, os desafios de infraestrutura e a necessidade de ampliar o processamento mineral no Brasil.

A discussão ganha peso diante da crescente importância de minerais como cobre, lítio, terras raras, níquel e grafite, considerados essenciais para a transição energética, a eletrificação, o desenvolvimento tecnológico e a segurança das cadeias globais de suprimentos. O evento também aborda o Plano Nacional de Mineração 2050, inovação, sustentabilidade, licenciamento ambiental, mudanças climáticas, rastreabilidade e governança.

Além da programação técnica, a feira chega à maior edição de sua história, com mais de 750 expositores e uma área superior a 17 mil metros quadrados. Organizada pelo Ibram, a edição também marca os 50 anos do instituto e reúne empresas, investidores, pesquisadores e profissionais de diferentes segmentos da cadeia mineral.