Medicina na Rússia
Nadyne Dias, 21 anos, foi fazer Medicina na Rússia
Determinação e coragem para encarar novos desafios em terras distantes. Não há fronteiras que impeçam a jovem Nadyne Frederico Dias, 21 anos, de alcançar o sonho de se formar
“Sempre tentei fazer algo que fosse especial. A Medicina é uma forma de ajudar ao próximo e é uma coisa que gosto”, explica Nadyne, que nasceu no Rio de Janeiro e mudou-se para Itabira na adolescência. Depois, foi para Belo Horizonte e fez cursos preparatórios para vestibular por dois anos, enquanto concorria a vagas nas universidades federais
Ao pesquisar na internet, encontrou uma empresa parceira da Universidade Médica Estatal de Kursk e decidiu mudar-se para lá. “Perguntei à minha mãe sobre o que achava: ela falou não na hora! Tentei convencê-la por um tempo e, no final das contas, foi a pessoa que mais me apoiou. Sair de casa nova, e ainda para fora do país, em um lugar que você nunca pensou que estaria, é uma sensação nova, dá muito medo”, avalia.
O embarque aconteceu em junho de 2012: o grupo era formado por 14 brasileiros. Ao chegarem a Kursk, os alunos ingressaram na faculdade preparatória para dominar melhor o inglês (utilizado nos materiais didáticos e nas aulas) e aprender a língua russa. Por cerca de seis meses, também tiveram aulas de Biologia, Física e Química. No final, foram submetidos a uma prova para entrar na Universidade Médica Estatal.
Nadyne relata que as turmas são bem reduzidas: são, no máximo, 12 alunos por sala. Ela aponta outras diferenças no sistema de ensino. “Eles te dão o material e você tem que chegar sabendo todo o conteúdo para as aulas práticas. Temos prova oral e escrita todos os dias. Há uma exigência e pressão muito grande dos professores”. Outro ponto ressaltado é a rigidez da grade acadêmica. “Ela é fixa, você tem de cumprir as matérias naquele período”, pontua. Se no exame final o aluno não for aprovado em uma disciplina, ele repete o semestre inteiro.
Ao longo do ano, a estudante comunica-se com os familiares por meio das redes sociais. “Fui para lá com um objetivo. Tento focar na minha escolha e pensar que moro lá agora, durante esses seis anos. Se o período que tenho para passar com minha família é uma vez ao ano ou a cada dois anos, tudo bem. Sou bem racional”, destaca.
Clima, costumes e estilo de vida na Rússia
“Kursk é uma cidade pequena, onde se tem a liberdade de sair a qualquer momento ou horário”, diz Nadyne, que mora em um hostel (albergue) para estudantes na mesma rua da universidade. O prédio possui nove andares: quatro são ocupados por brasileiros e os demais por alunos da Nigéria, Malásia, Índia e China.
“Divido o quarto com uma moça de Salvador. No quarto ao lado, uma é de Brasília e a outra, de Goiás. Encontram-se pessoas de todos os cantos, com histórias de vida bem diferentes. A gente aprende muito quanto a essa questão de convivência com brasileiros e estrangeiros”, relata.
Ela comenta que a tarifa de transporte público é acessível, embora os ônibus não sejam novos. São 11 rublos, que correspondem a aproximadamente R$ 0,80. O inverno rigoroso foi um dos desafios para Nadyne, assim como a convivência com os moradores locais. Outros pontos destacados por ela são a língua e a moeda nacional. “Depara-se com uma língua que é totalmente diferente: você vai ao supermercado e não tem nem noção do que cada coisa significa. O dinheiro é desvalorizado. Você dá uma quantia que, em número, é muito grande; acha-se que está pagando muito, mas não é bem assim”, conclui.







