Associação Meninar e Viver transforma vidas por meio da arte, cultura e educação em Itabira

Ao longo de quase duas décadas de atuação, a AMEVIVER já acompanhou o crescimento de centenas de crianças e adolescentes

Associação Meninar e Viver transforma vidas por meio da arte, cultura e educação em Itabira
Foto: Divulgação
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Há 17 anos, um projeto social nascido da preocupação com crianças em situação de vulnerabilidade social vem construindo histórias de transformação em Itabira. A Associação Meninar e Viver (AMEVIVER), fundada em 2009 pela educadora Martha Mousinho Gomes Barbosa, atua com atividades culturais, educativas e esportivas voltadas para crianças e adolescentes do município.

A iniciativa surgiu na Vila Paciência, quando Martha e outra professora começaram a observar a rotina de crianças que passavam grande parte do dia nas ruas enquanto os pais trabalhavam. “Começamos a perceber muita vulnerabilidade”, relembra Martha.

A partir dessa percepção, elas iniciaram uma campanha para arrecadação de livros infantis e conseguiram uma sala cedida no espaço da IVIPA, próximo ao Hospital Nossa Senhora das Dores. Foi ali que nasceu a chamada “mala do livro”, projeto em que crianças levavam livros para casa, além de participarem de contação de histórias, música, brincadeiras dirigidas e reforço escolar.

Segundo Martha, o acolhimento sempre foi além do conteúdo pedagógico. O objetivo era oferecer um ambiente seguro, afetivo e estimulante. “As brincadeiras dirigidas e os exercícios físicos eram muito importantes. A gente percebia que elas precisavam de convivência, atenção e acompanhamento”, afirma.

Com o passar dos anos, o projeto cresceu e passou a atender crianças de diversos bairros de Itabira, como Pará, Campestre, Bela Vista e Pedreira. Atualmente, a AMEVIVER funciona como um “guarda-chuva” de ações socioculturais, reunindo oficinas de música, teatro, dança, circo, artesanato, leitura e atividades educativas.

Hoje, a instituição possui sede na rua França de Paula Andrade, na Vila Cisne, mas também desenvolve projetos diretamente em escolas municipais da cidade. A estratégia, segundo Martha, permitiu ampliar o alcance das ações. “Ao invés da criança precisar se deslocar até nós, a gente vai até a escola. Isso facilita muito para as famílias e aumenta o número de participantes”, explica.

Oficina de circo

Entre as atividades desenvolvidas atualmente está a oficina de circo, realizada no contraturno escolar. O trabalho utiliza elementos circenses como ferramenta pedagógica para estimular responsabilidade, disciplina, coordenação motora, criatividade e desenvolvimento emocional.

De acordo com Martha, diretoras de escolas já relataram mudanças positivas no comportamento e no desempenho escolar de alunos participantes. “A gente percebe que eles ficam mais responsáveis, mais interessados e mais conectados com o ambiente escolar”, destaca.

A arte ocupa um papel central

A arte sempre ocupou papel central na trajetória da associação. Um dos momentos mais marcantes ocorreu quando o grupo musical formado por participantes do projeto foi convidado pelo músico mineiro Marcus Viana para se apresentar durante o Festival de Inverno de Itabira. “Quando eles terminaram de cantar, ele fez uma reverência para as crianças. Foi muito emocionante”, recorda Martha.

Além da música, o projeto já promoveu apresentações de teatro de rua, oficinas de hip hop, capoeira e ações de incentivo à leitura. Também foram desenvolvidas iniciativas financiadas por editais culturais e leis de incentivo, como a Lei Aldir Blanc, o Fundo da Infância e Adolescência (FIA) e projetos viabilizados por recursos da Vale.

Apesar da relevância social, Martha afirma que a manutenção financeira ainda é um dos principais desafios da instituição. Segundo ela, a maior dificuldade é garantir continuidade aos projetos e estabilidade para os profissionais envolvidos. “Às vezes conseguimos verba para seis meses ou um ano, mas depois não temos garantia de continuidade. Isso gera insegurança para os professores e para as próprias crianças”, relata.

Atualmente, a associação busca recursos para retomar atividades musicais e formar novamente um coral ou grupo artístico. A presidente também destaca a importância de doações mensais feitas por apoiadores, amigos e familiares, que ajudam a manter parte das atividades funcionando mesmo nos períodos sem financiamento público.

O crescimento de centenas de crianças e adolescentes

Ao longo de quase duas décadas de atuação, a AMEVIVER já acompanhou o crescimento de centenas de crianças e adolescentes. Muitos ex-participantes ingressaram no ensino superior, concluíram cursos técnicos e seguiram carreiras profissionais em diferentes áreas. “Temos ex-alunos formados em música, engenharia e direito. Outros estão fazendo cursos técnicos e construindo novos caminhos. Isso mostra como o acesso à cultura e à educação muda perspectivas”, afirma Martha.

A Associação Meninar e Viver é reconhecida por atuar como um importante equipamento cultural e comunitário em Itabira, promovendo inclusão social, fortalecimento de vínculos familiares e ampliação de oportunidades para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.