Além da sala de aula

Diretoria do núcleo do grupo Engenheiros sem Fronteiras em Itabira

Além da sala de aula

O mundo acadêmico se notabilizou na história do Brasil e de outros países como um centro de formação de pensadores preocupados com os rumos da humanidade. Com o tempo, no entanto, as universidades passaram a sofrer críticas justamente por perder a intensidade desse envolvimento. Mas isso não é uma verdade absoluta. Ainda são vários os grupos e instituições que zelam pelo desenvolvimento da sociedade e acreditam que educação não se restringe às salas de aulas.

Um desses grupos é o Engenheiros sem Fronteiras. A fórmula nasceu na França, nos anos 80, e depois se espalhou pelo mundo, alcançando universidades onde há o ensino de engenharia. Em 2001, a ideia chegou aos Estados Unidos e foi conhecida por um brasileiro que fazia intercâmbio por lá. Não demorou para que ele trouxesse uma sede do grupo para o Brasil, mais exatamente em Viçosa, Minas Gerais.

Em Itabira, o núcleo dos Engenheiros sem Fronteiras existe desde 2012. O grupo tem mais de 30 voluntários, entre alunos do campus local da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e da Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira (Funcesi). A principal finalidade – e que tornou a ONG reconhecida mundialmente – é a realização de projetos de engenharia sem fins lucrativos que permitam o desenvolvimento local e regional.

O principal projeto do núcleo em Itabira é o Diversão sem Fronteiras, no qual os voluntários vão a escolas municipais e estaduais e desenvolvem atividades com crianças. Matemática e Física sempre estão em pauta. “A gente desenvolve brincadeiras que possibilitam o aprendizado dessas áreas. São atividades instrutivas, que permitem o desenvolvimento desses estudantes”, comenta Amanda Teixeira, secretária de Comunicação da ONG em Itabira e coordenadora do Diversão sem Fronteiras.

Outro projeto de destaque é de o prevenção de riscos ambientais. Nesse programa, os alunos visitam instituições municipais e fazem um levantamento dos problemas dessa área e que podem ser sanados pela engenharia. Os estudantes discutem as medidas e depois retornam com as soluções.

Futuro

O grupo Engenheiros sem Fronteiras pretende desenvolver mais atividades em Itabira, como aulas de inglês, orientações ambientais, ensino de informática e trabalhos com eletricidade. Para isso, no entanto, precisa da colaboração que pode vir da iniciativa privada ou do poder público. A empresa que se dispõe a ajudar recebe um selo de parceira da ONG e tem a marca atrelada aos projetos desenvolvidos.

“Para nós é muito gratificante poder contribuir para a cidade de Itabira com o que temos aprendido durante o período da graduação. Nosso núcleo tem crescido bastante e queremos crescer ainda mais, ajudando cada vez mais pessoas. Para isso, o apoio da comunidade itabirana é fundamental”, diz o diretor geral do núcleo, Renan Santana.

Além de conquistar apoio para os projetos, o grupo Engenheiros sem Fronteiras também tem a missão de quebrar a resistência que ainda possa existir entre os itabiranos e os universitários, especialmente os da Unifei. “É preciso quebrar essa impressão de que estudante só quer bagunça. Nós estamos aqui para ajudar e muita gente nem conhece os nossos projetos”, comenta Amanda Teixeira.

Há, atualmente, mais de 40 grupos dos Engenheiros sem Fronteiras em vários países do mundo, desde os mais ricos até os mais pobres, como Camboja, Uganda e Serra Leoa. Os exemplos nessas localidades mostram que a realidade seria ainda pior se não houvesse ações de entidades não governamentais que se preocupam em chegar aonde o poder público não vai.

Itabira não tem uma realidade dura como as desses países, mas é bom para a cidade saber que pode contar com estudantes conscientes de que a educação não se resume a encontrar os quase indecifráveis valores de x e de y. O que é feito além das salas de aula também conta muitos pontos.

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