Dona Rosinha é homenageada com mural durante o Festival da Cajá em Itabira

Obra da artista visual Daniele Oliveira celebra a trajetória da escritora, ativista quilombola e liderança comunitária que marcou a história de Itabira

Dona Rosinha é homenageada com mural durante o Festival da Cajá em Itabira
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A memória de Rosemary Alvares de Souza, a “Dona Rosinha” será eternizada nas paredes da Casa da Cidadania, em Itabira, durante o Festival da Cajá, que aconteceu em Itabira. A artista visual e muralista Daniele Oliveira produziu um mural em homenagem à escritora, ativista quilombola e liderança comunitária que faleceu no dia 4 de junho deste ano, aos 67 anos.

Nascida em 29 de março de 1959, em Belo Horizonte, Dona Rosinha foi criada pela tia Dona Tita, matriarca do Quilombo Santo Antônio. Ao longo da vida, trabalhou como faxineira, vendedora e balconista, mas também construiu uma trajetória marcada pela defesa das comunidades, das mulheres e das causas populares.

Ela presidiu a Associação do Quilombo Santo Antônio por dois mandatos, esteve à frente da Interassociação dos Amigos de Bairros de Itabira e participou da rede nacional de enfrentamento à violência contra mulheres. Também atuou como conselheira da sociedade civil no município por mais de 12 anos.

O mural nasceu de uma conexão entre a artista e Dona Rosinha. Daniele conta que conheceu a ativista em março deste ano, durante a inauguração do curso Defensoras Populares, em Belo Horizonte. Na ocasião, registrou uma fotografia que se tornou referência para a pintura.

“Eu já estava com a intenção de pintar a Dona Rosinha desde março, quando a conheci. Fiquei encantada com ela logo no início da apresentação, pela forma como ela se posicionava”, relata a artista.

Daniele lembra de um momento que marcou o encontro: quando Dona Rosinha, ao ser convidada a ficar confortável durante a roda de conversa, decidiu tirar o sutiã, arrancando risadas e criando uma aproximação com as participantes.

“Foi um ato que me chamou atenção. Ela mostrou uma forma muito própria de se posicionar e aquilo gerou uma conexão. Depois fui conhecer a história dela e descobri uma mulher que não defendia apenas a própria trajetória, mas toda uma comunidade”, conta.

A partir da pesquisa sobre a vida de Dona Rosinha, a artista buscou representar no mural elementos ligados à coletividade, ao território e ao afeto. A pintura traz referências às lutas defendidas pela ativista e à importância da preservação da memória do Quilombo Santo Antônio.

“Para mim, o muralismo também é uma ferramenta de educação popular e comunitária. Não é só uma homenagem à Dona Rosinha, mas uma forma de preservar a memória dela e das lutas que ela defendia”, explica Daniele.

A homenagem integrou a programação do Festival da Cajá, que promoveu ações culturais em diferentes espaços de Itabira e valoriza artistas, histórias e manifestações ligadas à identidade itabirana.