Do pós-mineração às terras raras: candidatos ao Senado apresentam propostas durante debate da AMIG
O futuro cenário de redução e encerramento da atividade mineral e a necessidade de diversificação econômica de Itabira também esteve em pauta
A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil) realizou, nesta quarta-feira (19), o “Mineração em Debate 2026 – Os compromissos de quem quer governar Minas e representar o Estado no Senado”. O evento, realizado no Centro de Convenções do Mercure Belo Horizonte Lourdes, em Belo Horizonte, reuniu representantes das candidaturas ao Governo de Minas Gerais e ao Senado Federal para discutir o futuro da mineração e as demandas dos municípios produtores e afetados pela atividade.
Entre os temas apresentados aos candidatos ao Senado estiveram a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), a participação dos municípios nas decisões sobre a atividade mineral, a exploração de minerais estratégicos, a diversificação econômica e os desafios relacionados ao pós-mineração.
O futuro cenário de redução e encerramento da atividade mineral e a necessidade de diversificação econômica de Itabira também esteve em pauta. A candidata ao Senado Áurea Carolina, do PSOL, afirmou que pretende levar ao Congresso Nacional as discussões relacionadas sobre o futuro da cidade e dos demais municípios mineradores de Minas Gerais.
Em resposta à DeFato, Áurea disse manter o compromisso com as cidades impactadas pela atividade mineral e defendeu que os municípios e as comunidades tenham maior peso nas decisões relacionadas à mineração. Segundo a candidata, o poder econômico das empresas mineradoras não pode se sobrepor aos interesses das comunidades que convivem diretamente com os impactos da atividade.
“Acho que a gente tem uma gama de agentes da sociedade e do poder público que precisam estar nesse espaço de tomada de decisão. E os municípios precisam ter um espaço de maior reconhecimento, de maior peso na tomada de decisões, inclusive sobre as questões tributárias que vão lhes afetar”, disse.
O candidato ao Senado Carlin Moura, do Avante, defendeu uma atuação conjunta entre os governos federal e estadual e os municípios para enfrentar os desafios das cidades que possuem forte dependência econômica da mineração. Ao abordar o risco de exaustão mineral, Carlin citou Itabira e outros municípios mineiros e destacou a necessidade de construir alternativas para garantir desenvolvimento econômico e geração de oportunidades no futuro. Para Carlin, a diversificação econômica e o planejamento do pós-mineração dependem de uma articulação entre os diferentes níveis de governo e os poderes públicos.
Já Marília Campos, do PT, defendeu que os municípios mineradores tenham maior participação nas decisões relacionadas ao futuro da mineração no país. Em coletiva, Marília afirmou que os prefeitos das cidades mineradoras precisam ser ouvidos e ter influência no processo decisório, principalmente nas discussões relacionadas à regulamentação da reforma tributária e à construção de um novo modelo tributário e minerário para o Brasil.
Segundo a candidata, a AMIG Brasil representa uma importante força política na defesa dos municípios e deve atuar para garantir que as cidades tenham voz nas decisões que impactam diretamente seus territórios e populações.
O candidato ao Senado Domingos Sávio, do PL, destacou a necessidade de uma legislação mais clara para regulamentar a exploração de minerais estratégicos e terras raras no Brasil. Domingos defendeu investimentos em tecnologia e no processamento desses minerais dentro do país, com o objetivo de agregar valor à produção nacional. O candidato criticou ainda a exportação de minerais sem agregação de valor e defendeu que o Brasil utilize seus recursos minerais estratégicos para ampliar o desenvolvimento tecnológico. “Terra rara, mais do que volume, é tecnologia”, afirmou.
Em tempo: Carlos Viana (PSD), Marcelo Aro (PP) e Marco Antônio “Superman” (Novo) foram convidados, mas não compareceram ao encontro promovido pela AMIG Brasil.