Itabira e o desafio do pós-mineração entram no debate dos candidatos ao Governo de Minas 

As diferentes propostas apresentadas durante o evento refletem um dos principais desafios enfrentados pelos municípios mineradores de Minas Gerais: como utilizar a riqueza gerada pela mineração no presente para construir alternativas econômicas para o futuro

Itabira e o desafio do pós-mineração entram no debate dos candidatos ao Governo de Minas 
Foto: Gustavo Linhares/DeFato Online

A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil) realizou, nesta quarta-feira (19), o “Mineração em Debate 2026 – Os compromissos de quem quer governar Minas e representar o Estado no Senado”. O evento, realizado no Centro de Convenções do Mercure Belo Horizonte Lourdes, em Belo Horizonte, reuniu representantes das candidaturas ao Governo de Minas Gerais e ao Senado Federal para discutir o futuro da mineração e os desafios enfrentados pelos municípios produtores e impactados pela atividade.

Entre os assuntos colocados em debate estiveram a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM), a modernização do Código de Mineração, a fiscalização do setor, o licenciamento ambiental e a participação dos municípios nas decisões relacionadas à atividade mineral.

A diversificação econômica e a preparação das cidades para um eventual cenário de redução ou encerramento da atividade mineral também ganharam destaque nas falas dos candidatos ao Governo de Minas, durante entrevistas coletivas. Ao ser questionado pela DeFato sobre o futuro de Itabira, o candidato Gabriel Azevedo (MDB) afirmou que o município precisa construir alternativas econômicas antes que a atividade mineral chegue ao fim. 

Azevedo ressaltou que Itabira não pode ficar marcada apenas pela história da mineração e defendeu a construção de um novo caminho econômico para o município. “Não dá pra virar um retrato na parede”, afirmou o candidato ao tratar do futuro da cidade após a mineração. A declaração ocorreu em meio às discussões sobre a dependência econômica de municípios que têm na atividade mineral uma de suas principais fontes de arrecadação e geração de empregos.

O candidato Flávio Roscoe (PL) apresentou como uma de suas propostas a criação de uma reserva financeira voltada ao período pós-mineração. A ideia é garantir recursos para que o Estado e os municípios possam se preparar para o momento em que as reservas minerais forem reduzidas ou se esgotarem. A medida estaria associada à necessidade de promover investimentos e estimular a diversificação econômica das cidades atualmente dependentes da mineração. Durante o evento, Roscoe destacou a importância de antecipar esse planejamento, evitando que os municípios sejam surpreendidos por uma eventual queda significativa da atividade mineral e, consequentemente, da arrecadação.

Já o candidato Patrus Ananias destacou o potencial de Minas Gerais na exploração de terras raras e defendeu que o Estado avance na industrialização relacionada à atividade mineral. Na avaliação de Patrus, Minas não deve permanecer apenas como fornecedora de matérias-primas. A proposta é ampliar o processamento dos recursos minerais dentro do próprio Estado, agregando valor à produção e estimulando a geração de empregos e renda.

As terras raras são utilizadas em diferentes setores tecnológicos e industriais e passaram a ganhar maior relevância nas discussões sobre minerais estratégicos e desenvolvimento econômico.

Debate sobre o futuro da mineração

As diferentes propostas apresentadas durante o evento refletem um dos principais desafios enfrentados pelos municípios mineradores de Minas Gerais: como utilizar a riqueza gerada pela mineração no presente para construir alternativas econômicas para o futuro.

Além da diversificação, os candidatos foram colocados diante de questões relacionadas à arrecadação, à CFEM, aos impactos ambientais e à participação dos municípios nas decisões sobre empreendimentos minerais. A AMIG Brasil defende que as cidades mineradoras tenham maior participação nas discussões que envolvem a atividade, considerando que são os territórios que convivem diretamente com os impactos econômicos, sociais e ambientais da mineração.

Em tempo: Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Mateus Simões (PSD) foram convidados a participar, mas não estiveram presentes. Kalil se recupera de um transplante de córnea em Sorocaba (SP), enquanto os demais candidatos informaram que já possuíam outros compromissos nas agendas de campanha.