Na Globo, Flávio Bolsonaro criticou a condenação do seu pai e garante que respeitará o resultado das urnas
Flávio afirmou que o filme sobre a história de Jair Bolsonaro “não teve um centavo de dinheiro público”
O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) foi o sabatinado desta sexta-feira (28) na TV Globo.
As entrevistas foram conduzidas pelos âncoras da emissora, Renata Vasconcellos e César Tralli.
Indagado sobre o caso Master e o dinheiro recebido de Vorcaro para o filme ‘Dark Horse’, que conta a trajetória política do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio foi enfático em afirmar que ‘não há absolutamente nada de errado’ em ter buscado o banqueiro para um patrocínio privado e que não recebeu repasses diretamente e que não houve contrapartidas envolvidas no pedido.
“Não tem absolutamente nada de irregular nesse filme. Esse foi um patrocínio, não teve nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro”.
Em maio, o site “The Intercept Brasil” revelou mensagens e um áudio em que o senador cobra dinheiro de Vorcaro para a produção do filme. Vorcaro está preso acusado de fraudes bilionárias. Segundo a publicação, o banqueiro repassou R$ 61 milhões para a produção do filme.
Esse repasse está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) em inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar se esses recursos foram para pagar contas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, além de possível desvio de emendas parlamentares para financiar o filme.
Sobre a mensagem enviada a Vorcaro dizendo “estarei sempre contigo”, Flávio Bolsonaro respondeu:
“A única relação que eu tinha com ele era sobre esse filme, mais nada. Eu não queria que essa obra fosse perdida, né? Era um sonho que estava se realizando ali. Foi uma forma de garantir que esse filme acontecesse”.
Perguntado por que não tornou público o contrato com Vorcaro, a planilha detalhada de gastos, a lista de investidores e quanto cada um colocou no projeto, ele afirmou que o dinheiro foi integralmente utilizado na produção e que a produtora apresentou uma prestação de contas antes do prazo de 30 dias estabelecido por ele.
“Eu falei, quero, em 30 dias, que a produtora apresente uma prestação de contas. E, antes desse prazo, a prestação de contas foi feita, inclusive na investigação que estava acontecendo na Polícia Civl de São Paulo”.
Embora a defesa da empresária Karina Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, tenha anexado ao inquérito que investiga a produção do filme, conduzido pela PC de São Paulo, o relatório de uma perícia contratada por ela mesma, apontando gastos de R$75 milhões, a perícia não apresentou nenhum recibo ou nota fiscal dos gastos, inclusive a origem do dinheiro para a produção do filme.
O perito alegou não ter tido acesso ao fundo americano que recebeu os recursos de Vorcaro e sequer apresentou notas fiscais, comprovantes de transferências, nomes de financiadores nem o caminho percorrido pelos R$ 75 milhões.
Sobre essas indagações, Flávio afirmou que o filme “não teve um centavo de dinheiro público, e que a produção custou mais do que o valor obtido por meio do patrocínio“.
Sobre a visita feita a Vorcaro no fim de 2025, quando este já havia sido preso e utilizava tornozeleira eletrônica, Flávio disse que “o que não é adequado é um presidente da República recebendo, em uma reunião secreta, um banqueiro, prometendo ajudá-lo a resolver o problema do seu banco. Então, fica aqui a pergunta: quem deve explicações é o Lula”.
Explicando o encontro com Vorcaro em 2024, Lula afirmou em fevereiro de 2026 que recebeu o então banqueiro a pedido, em compromisso sem registro em agenda oficial do Palácio do Planalto. Vorcaro foi levado ao presidente pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
Na ocasião, Lula disse ao banqueiro que “não haverá posição política pró ou contra o Bando Master. O que haverá será uma investigação técnica, feita pelo Banco Central”.
Questionado pelos ataques do 8 de janeiro de 2023 e que garantias poderia oferecer ao eleitor de que não tentará um golpe de Estado, Flávio Bolsonaro fez críticas à condenação do pai, afirmando que “a grande farsa foi armada para tirar Bolsonaro da vida pública. Bolsonaro foi julgado pelos seus inimigos”, e mencionou o ministro Alexandre de Moraes.
Sobre os depoimentos de generais que fizeram parte do governo do seu pai e que basearam o processo que levou à sua condenação e a outros integrantes do gabinete, como o general Mario Fernandes, que confirmou ter sido o autor de um plano para assassinar Lula, Moraes e o vice-presidente, Geraldo Alckmin, o senador candidato disse:
“Se esse general planejou isso, a responsabilidade é dele”.
Flavio ressaltou que depoimentos como os do brigadeiro Baptista Júnior e do general Freire Gomes, que mencionaram que houve o risco iminente de golpe de Estado e pressões para que militares aderrisem a uma ruptura institucional, não eram graves.
“Não é grave, porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para Lula.Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro”.
Criticando a condenação de seu pai e o STF, Flávio disse que é o único candidato que pode trazer segurança jurídica de volta. “Sou o único candidato que pode recolocar as instituições no seu devido lugar apra que o Supremo volte a cumprir a Constituição”.
Sobre o tarifaço imposto por Donald Trump a produtos brasileiros, Flávio responsabilizou Lula pela medida.
“Foi o Lula que cavou com força, O Lula procurou muito essa tarifa, xingou, ameaçou. ele conseguiu. Parabéns, Lula, você conseguiu tarifar as empresas brasileiras”.
Mas, ressaltou que o irmão, Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado e condenado por tentar interferir no processo contra o pai, errou ao agradecer pelas tarifas impostas ao Brasil, mas garante que ele não pediu o tarifaço.
“Eu acho que ele errou de agradecer com relação às tarifas. A decisão quem tomou foi o governo americano, não foi o Eduardo Bolsonaro. Portanto, ele não tem absolutamente nada a ver com isso, né? O goveno podia ignorar o que ele estava falando. ele nunca pediu tarifas para empresas brasileiras”.
Flávio acrescenta: “Inclusive, eu fiz questão de também no mesmo dia vir a público e dizer que era o contrário a isso, que não defendia, que ia defender os interesses das empresas brasileiras e ia trabalhar para a retirada dessas tarifas junto ao governo americano, como eu fiz“.
O senador candidato foi questionado sobre uma fala do irmão , de que colocaria o Pix em negociação com os Estados Unidos como resposta ao tarifaço, mas garantiu que, se eleito, não vai levar o tema para negociações com o governo Trump.
“De forma alguma. O Pix é sagrado, é do brasileiro.. Isso foi uma distorção do que o Eduardo falou. ele só disse: aqui nos EUA tem uma ferramenta parecida. O que é o Pix? Um meio de pagamento”.
Flávio negou ter feito afirmações negando a confiabilidade das urnas eletrônicas e disse que respeita o processo eleitoral.
“Eu estou concorrendo com essas regras, eu vou ser presidente da República com essas regras. E com certeza eu vou adorar que você anuncie o meu nome como presidente naquela bancada do Jornal Nacional. eu não vou perder essa eleição. E digo mais: vou ganhar no primeiro turno”.
*Fonte: G1