Ex-dono da Reag entrega à PGR proposta de delação premiada que cita o senador Jaques Wagner (PT-BA)

Carlos Mansur também revela que a Reag era usada para desviar dinheiro do Master, com o uso de laranjas e estruturas offshores

Ex-dono da Reag entrega à PGR proposta de delação premiada que cita o senador Jaques Wagner (PT-BA)
João Carlos Mansur foi presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos-Foto: Reprodução/Youtube

O ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos, João Carlos Mansur entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de delação premiada com foco em Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, num documento com 17 anexos das suspeitas dos crimes financeiros, conforme a repórter Natália Portinari, do UOL.

Quando clientes do advogado José Luís Oliveira Lima, Mansur e Vorcaro tentaram fazer uma delação em conjunto, mas a PGR e a Polícia Federal (PF), à época rejeitaram a proposta por considerar as informações insuficientes.

Posteriormente, a defesa de Mansur foi trocada pelo criminalista Alísio Medeiros.

Segundo a publicação do UOL, Mansur afirma na delação que a Reag prestava serviços para o Master desde 2019, quando Vorcaro assumiu o controle do banco. Ele também revela que a Reag era usada para desviar dinheiro do Master, com o uso de laranjas e estruturas offshores, e que negociava diretamente com Vorcaro, que tinha pleno conhecimento dos desvios e os operava.

Mansur foi alvo da operação Compliance Zero, da PF, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos e suspeitas de desvios de recursos vinculados a Daniel Vorcaro.

O UOL também revela que Mansur identificou pessoas que, segundo ele, atuavam como laranjas e cotistas de fundos ligados a Vorcaro.

Um dos casos envolve o Jaguar Multimarket Fund Ltd, com registro nas ilhas Cayman, para onde o Master enviou R$ 494 milhões.

Formalmente, o beneficiário desse fundo é Benjamin Botelho, ex-dono da gestora Sefer, também alvo da Compliance Zero, mas, segundo Mansur, o verdadeiro dono do Jaguar é Vorcaro.

Na delação de Mansur, aparece o nome do senador Jaques Wagner (PT-BA).

Augusto Lima, ex-sócio do Master, teria pedido a Mansur, em 2023, que comprasse para o senador ingressos para o show da Taylor Swift, que custariam R$ 63.300.

Wagner justificou ao UOL que a compra foi um pedido pessoal a um amigo para que o ajudasse a conseguir os ingressos e que não conhecia Mansur e nem tem relação com a Reag.

Outro político mencionado  é o candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), titular das cotas do fundo de investimento Seattle 95, administrado pela Reag até 2025.

ACM Neto justificou afirmando que o fundo foi criado em 2021 por meio de aporte de recursos próprios de origem declarada e lícitos.

O candidato ao governo baiano aportou R$ 7,92 milhões no Seattle 95 em 10 depósitos e chegou a R$ 11,94 em outubro de 2025.

O acordo de delação ainda não foi formalmente assinado para ser enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso, que vai analisar uma eventual homologação.

*Fonte: Poder360