Funcionários recusam proposta da Cisne e preparam operação tartaruga
Sindicalistas não conseguiram reunir muitos trabalhadores na assembléia da noite de ontem
Embora em número ainda menor que na assembleia da manhã, os trabalhadores da Transportes Cisne, em Itabira, confirmaram, na noite desta quinta-feira, 4, a recusa da última proposta de reajuste salarial (8%) oferecida pela empresa esta semana. Motoristas e cobradores aprovaram o envio de uma contraproposta de 9,8% e a realização da conhecida “operação tartaruga”, proposta pelos sindicalistas.
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Cáscio Francisco Cota, repetiu para os poucos trabalhadores – 25 no total – que estiveram na assembleia, o inflamado discurso feito pela manhã, quando cobrou uma postura diferente dos trabalhadores em relação à disponibilidade dos mesmos em fazer horas extras.
“Esses (trabalhadores) que concordam em fazer horas extras estão sendo é companheiros da empresa. A empresa não ajuda, a justiça não ajuda, porque estipula que 60% do serviço (dos ônibus em circulação) tem que ser cumprido. Então, que direito de greve é este?”, desabafou.
Durante as duas assembleias, Cáscio Cota alfinetou, tanto o governo municipal, quanto o poder Judiciário, cobrando de ambos a respectiva parcela de culpa pelo alto preço da passagem e pelas precárias condições da maioria dos ônibus em circulação no município.
“Não podemos esperar nada da empresa. Da justiça também não temos o que esperar. Cadê a Transita, cadê o município pra ver estes ônibus velhos, sem condição de rodar, com bancos quebrados? Daqui a pouco sobe o preço da passagem e quem paga é o motorista, o trocador, porque são eles que ouvem a reclamação da população”, disparou o sindicalista.
Em relação à Cisne, que detém o transporte urbano no municipio, o líder sindical criticou mais uma vez a postura, que ele considera como inflexível, de seus dirigentes. "Eu não sei o que está sendo melhor, se é ser um trabalhador de salário mínimo, ou dono de empresa de transporte, porque pra eles (da Cisne) está tudo ruim", desabafou mais uma vez.
Antes de colocar a proposta em votação, Cáscio Cota sugeriu que os motoristas trabalhassem conforme a “melhoria salarial” que a empresa oferece.