Aliados de Flávio Bolsonaro apontam ‘salto alto’, estratégia contra Lula e fator Marçal como causas da derrota

Outro ponto de insatisfação foi a distribuição de aliados nos últimos dias

Aliados de Flávio Bolsonaro apontam ‘salto alto’, estratégia contra Lula e fator Marçal como causas da derrota
Campanha viu estratégia equivocada com Tarcísio de Freitas- Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições para Lula (PT) abriu uma busca por culpados dentro da própria campanha, segundo reportagem de O Globo nesta terça-feira (27), com críticas de integrantes e aliados do senador. Ouvidos pela reportagem, as críticas não foram assumidas publicamente, por isso, trata-se  da leitura de interlocutores, sem conclusões confirmadas.

“Salto Alto”

O principal questionamento é chamado pelos aliados de “salto alto”, quando o entorno de Flávio passou a agir como se a vitória estivesse encaminhada, em vez de mobilizar eleitores até o último momento e, como exemplo, a realização de uma festa antes do resultado definido.

A estratégia contra Lula

Interlocutores afirmam que Flávio tentou se apresentar como moderado, mas acabou concordando demais com o adversário, principalmente ao prometer manter benefícios e políticas do atual governo.

Um integrante ironizou o senador, que, de tanto repetir compromissos do adversário, parecia fazer campanha para ele. Esse grupo defende que Flávio deveria ter seguido um discurso mais próximo do seu pai, Jair Bolsonaro, acusando o governo de usar benefícios e medidas econômicas para conquistar votos.

Tarcísio e Nikolas no Nordeste

Outro ponto de insatisfação é a distribuição de aliados nos últimos dias, considerando um erro ter levado o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) para agendas no Nordeste, quando deveriam ter se concentrado em São Paulo e Minas Gerais, estados mais decisivos e as duas maiores zonas eleitorais do país.

O fator Marçal

Houve críticas também ao influenciador Pablo Marçal, que preparou Flávio para o debate na Band. Segundo O Globo, a presença dele provocou divergências internas, especialmente pela relação dele com o marqueteiro Duda Lima, agredido por um assessor de Marçal na campanha municipal de São Paulo, em 2024, e com o prefeito Ricardo Nunes, que também participou da preparação. Segundo os críticos, a combinação de postura moderada com ataques agressivos prejudicou a construção de uma identidade própria.

A reação ao resultado

Há críticas também ao pronunciamento de Flávio após o resultado. Aliados consideram que ele se precipitou ao dizer que não reconheceria a vitória e recorreria ao TSE antes de conhecer o número de votos registrados depois do horário original de encerramento, que foi pequeno, classificado por um interlocutor como “patética” e o classificando como “mau perdedor”.

Esses aliados defendem concentrar uma contestação na decisão do ministro Cristiano Zanin, que ampliou o horário de votação, em ação de abuso de poder político, linha incorporada ao vídeo divulgado por Flávio na segunda-feira. Ele não fez acusações diretas de fraude nas urnas.

*Fonte: O Globo