Sindicato suspende paralisação, mas estado de greve continua
Cáscio Cota (esq.) cobra que a empresa realmente negocie um reajuste mais justo para motoristas e cobradores
Apesar de o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Itabira (Sinttroita) ter suspendido “por tempo indeterminado” a paralisação dos motoristas e cobradores da Cisne, “o estado de greve continua”, segundo afirmação do presidente da instituição, Cáscio Francisco Cota.
O líder sindical acusa a Cisne de se negar a voltar à mesa de negociações, de usar a greve em seu favor, e pediu o apoio da população.
Em entrevista à DeFato Online, no final da manhã desta sexta-feira, 15, Cáscio esclareceu, quase num tom de desabafo, que o fim da paralisação não significa que a greve acabou. O retorno dos motoristas ao trabalho, segundo ele, é uma tentativa de convencer os representantes da empresa a voltar a negociar.
“Estamos suspendendo a greve por tempo indeterminado, para que a empresa realmente reabra as negociações, mas o estado de greve continua. Entendemos que ela (a Cisne) não está negociando, e, quando (a empresa) não quer negociar, não há instrumento que obrigue”, ressaltou.
O presidente sindical acusa a direção da Cisne de se favorecer com a determinação da Justiça do Trabalho, que obrigou o sindicato a disponibilizar um efetivo de 60% dos motoristas e cobradores em greve, para atender a população. O sindicalista deixou subentendido que a Cisne deu prioridade a rotas mais lucrativas.
“Ela (a Cisne) colocou 60% da frota (de ônibus) atendendo apenas as principais linhas do município, desfavorecendo várias comunidades que não foram atendidas, o que não é justo. Nós (do Sinttroita) cedemos até onde nós podíamos, mas a empresa estava irredutível em negociar”, alegou.
Cáscio concluiu pedindo que a população continue apoiando a mobilização do sindicato e dos trabalhadores.
“Gostaria de pedir à comunidade que, assim como manifestou o apoio no início da paralisação, que continue assim, que a comunidade entenda e continue nos apoiando. O motorista não quer prejudicar a população, só quer uma melhor condição salarial”.
Dissídio Coletivo
Os representantes legais da Cisne ajuizaram, na última quarta-feira, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Belo Horizonte, um pedido de dissídio coletivo de greve. No documento, a Cisne alega que a tarifa (de R$ 2,70) cobrada pela empresa “está congelada” desde 13 de janeiro de 2011 e que a greve “é abusiva”.
No documento encaminhado ao TRT, a Cisne informa ainda que o congelamento da tarifa motivou uma ação judicial com objetivo de indenização e de reajuste da tarifa pelo governo municipal. O processo encontra-se em tramitação no Fórum Desembargador Drumond.
O presidente do Sinttroita reagiu garantindo "não existir dissídio coletivo sem a concordância das duas partes".