Alerta do TST: o vício em bets provocou um aumento de 438% nas licenças médicas em dois anos
Um levantamento indica um registro de 67 afastamentos em 2023, para 361 em 2025, um aumento de aproximadamente 438,80%
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luis Fhilippe Vieira de Mello Filho, defendeu que os ambientes profissionais sejam protegidos do que chamou de “adoecimento silencioso” provocado pelo vício em apostas on-line, conhecidas como bets.
Em nota, o magistrado destacou que a compulsão por jogos pode afetar as relações de trabalho, citando dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que apontam um aumento de mais de cinco vezes o número de afastamentos por incapacidade temporária relacionada à ludopatia.
“Como Justiça do Trabalho e Tribunal Superior do Trabalho, reiteramos nosso compromisso inegociável com a preservação da dignidade humana. Nenhum ambiente, inclusive o profissional, pode ser espaço para o “adoecimento silencioso” decorrente de compulsões e vulnerabilidades ampliadas pelas novas tecnologias”.
O levantamento indica um aumento de 67 afastamentos em 2023, para 361 em 2025, um aumento de aproximadamente 438,80%.
A manifestação do magistrado acontece em meio às discussões sobre a proibição das bets no país. Em setembro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) editou a Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil.
Na terça-feira (3), o ministro Luiz Fux, do STF, conduziu uma audiência pública para discutir os impactos da proibição das apostas on-line. Fux é relator das ações que questionam a medida.
Durante o debate, representantes do governo federal defenderam a proibição como uma forma de reduzir os danos das apostas à saúde pública e à economia das famílias brasileiras. Posicionamento contrário têm os representantes de clubes de futebol e entidades empresariais, que manifestaram preocupação com possíveis perdas financeiras, redução de empregos e crescimento do mercado ilegal de apostas.
A exploração de apostas de quota fixa foi autorizada no Brasil pelo então presidente Michel Temer (MDB), em 2018. Em 2023, já no governo Lula, o Congresso regulamentou a atividade. A nova medida provisória, publicada em 25 de setembro de 2026, alterou esse cenário ao estabelecer a proibição das bets.