Hoje na Portuguesa, fisioterapeuta itabirano analisa os desafios e mudanças da área

Fernando Augusto Ferreira é formado em Fisioterapia e pós-graduado em Fisioterapia Musculoesquelética e Esporte

Hoje na Portuguesa, fisioterapeuta itabirano analisa os desafios e mudanças da área
Foto: Divulgação/Portuguesa
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O futebol sempre fez parte da vida de Fernando Augusto Ferreira. Mas se a carreira no campo acabou não acontecendo, o sucesso veio fora dele. Formado em Fisioterapia e pós-graduado em Fisioterapia Musculoesquelética e Esporte, o itabirano hoje trabalha na Portuguesa-SP, a tradicional Lusa.

Em conversa com o portal DeFato Online, Fernando comentou sobre a atuação no clube, que tenta retomar os antigos tempos de glória, e analisou o momento da sua área.

Início

“Eu jogava na base do Valério, na base de um time de Goiás, chamado Rio Verde, joguei em Belo Horizonte também. E quando eu decidi parar de jogar bola, fui pesquisar algumas faculdades para fazer, mas não sabia qual ainda. Eu pesquisei sobre Educação Física, que estava mais próximo do esporte, mas encontrei a Fisioterapia. E o que me atraiu foi a variedade que a profissão traz. A gente consegue trabalhar em diversas áreas, como hospitalar, esportiva, clínica, hospital, enfim”, relembra o fisioterapeuta.

“O que me despertou o interesse foi essa questão de estar no esporte, de poder trabalhar em diversos âmbitos. Dentro da fisioterapia desportiva a gente consegue estar dentro e fora do campo, participar do período de reabilitação de um atleta. É isso que mais me chamou atenção”.

Prestes a completar três anos de clube, Fernando reflete sobre a exigência cada vez maior da sua profissão. Uma consequência direta da evolução física do esporte mais popular do planeta. “Quanto mais contato físico, maior a demanda do atleta, que também precisa ter uma capacidade física melhor. Não adianta a gente aumentar a intensidade e todas as valências do atleta se ele não tem capacidade para sustentar, para aguentar fazer o esporte. Então impacta sim, sobretudo em questão de recuperação, o jogador com uma demanda mais alta precisa se recuperar mais e melhor. As queixas e as dores vão acontecer de uma forma mais recorrente”.

Questões complexas, que são compartilhadas com a comissão técnica. “Não é simples, mas a gente precisa estar a todo instante trabalhando para que isso ocorra da melhor forma possível. Um dos principais pilares para que isso aconteça é a comunicação. É entender como a comissão técnica trabalha para poder adequar a questão da recuperação, dos exercícios, do trabalho, da maneira de conversar com os atletas, de fazer os protocolos de prevenção”.

Hoje na Portuguesa, fisioterapeuta itabirano analisa os desafios e mudanças da área
Foto: Divulgação/Portuguesa

Teste de fogo

E como fazer isso em um futebol marcado pelas constantes trocas de treinadores? Fernando responde:

“Cada forma de trabalho é diferente, então a gente precisa se adaptar. Devemos entender a questão da preparação física, como eles vão trabalhar, quais formas de intensidade, de resistência, das valências impostas aos atletas para também podermos atuar. Se um dia está mais forte, a gente faz uma recuperação no outro dia, adequa as semanas. Então todos os setores devem se comunicar para poder se adaptar. O trabalho principal é da comissão técnica, com os outros setores dando suporte ao redor”.

“Existem estudos científicos que comprovam que uma troca de treinador aumenta o risco de lesão. Portanto, isso com certeza afeta não só o meu trabalho, mas o sistema do clube como um todo”, completa.

E o futuro?

SAF desde 2024, a Portuguesa possui um setor próprio voltado à área, o Departamento de Saúde e Performance. Parte fundamental dessa engrenagem, Fernando detalha o minucioso trabalho feito por ele e seus colegas.

“A gente tem marcadores e protocolos, com uma linha de seguimento de recuperação, prevenção de lesões e avaliação. Então atuamos para diminuir o tempo de lesão desses atletas e diminuir esse risco. Estamos sempre em busca dos melhores marcadores e valores para manter a gestão física do atleta a mais longeva possível”, destaca.

Por fim, o itabirano compartilha algumas das suas principais metas para o futuro. Uma delas, conscientizar os jogadores sobre a importância do cuidado com o corpo.

“Desejo sempre promover saúde e performance, principalmente dentro do clube. A gente pensa sempre na questão física dos atletas, para que ele performe e tenha consciência da preparação dele, do quão importante é trabalhar e se preocupar com o próprio corpo. É óbvio que tem outras questões mais materiais, como ganhar títulos, conhecer outros métodos, pessoas de outros clubes, chegar à seleção… mas acredito que o foco principal realmente seja esse: promover saúde e bem-estar para os atletas”.