Damon revela problemas e dívidas em secretarias, mas diz que não ‘vai olhar para trás’

Damon de Sena, secretários e diretores das autarquias apresentaram detalhamento dos problemas na coletiva

Damon revela problemas e dívidas em secretarias, mas diz que não ‘vai olhar para trás’

O sucateamento de parte da frota de veículos, uma dívida líquida de R$ 14.711.426,09 na Empresa de Desenvolvimento de Itabira (Itaurb); o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) com ausência de investimento e dificuldades no abastecimento de água do município; além de problemas graves em quatro das principais secretarias foi “o quadro inicial” apontado pelo prefeito Damon Lázaro de Sena (PV), na tarde desta quinta-feira, 28, como “herança” da administração passada. Mesmo assim o líder do Executivo disse que “não vai olhar para trás”.

Em mais de três horas de entrevista coletiva, no auditório da Prefeitura, Damon de Sena e os secretários: Valquíria Pascoal (Ação Social); o interino Jáder Magalhães (Desenvolvimento Urbano); Giovane Magno Lopes (adjunto de Educação), além do diretores presidentes: Carlos Carmelo Torres (Itaurb), e Jacir Benelli Primo (Saae), exibiram um minucioso relatório das dívidas e demais problemas a serem resolvidos em suas respectivas pastas e autarquias.

O prefeito abriu a coletiva afirmando ter escolhido as secretarias de Saúde, Ação Social, Educação e Desenvolvimento Urbano, como sendo as mais importantes e também as “mais problemáticas” e em vários momentos alfinetou a administração passada.

Damon de Sena afirmou ainda que grande parte dos problemas poderiam ter sido resolvidos ou pelo menos amenizados se tivesse ocorrido um mínimo de planejamento no último ano do governo anterior.

O prefeito lembrou ainda ter ficado “engessado” e impossibilitado de resolver algumas questões logo que tomou posse, em razão do recesso no Legislativo Municipal. A ausência da prestação de contas de algumas secretarias e também da Câmara impediram a liberação do orçamento municipal para 2013, segundo ele.   

“É uma irresponsabilidade muito grande, você passar um governo para outro (prefeito) totalmente desestruturado. Vamos olhar pra frente e construir”, disse em resposta a uma das perguntas, já no final da coletiva.

Veja alguns dos problemas apontados por Damon e equipe na coletiva:

– DESENVOLVIMENTO URBANO: Aterro sanitário inaugurado em novembro de 2012 já está sem condições de uso; houve falha na fiscalização no contrato.

– DESENVOLVIMENTO URBANO: Seção de Patrimônio Histórico e Cultural foi esvaziada e desmontada. "A única coisa que encontramos na seção foi a tarjeta na porta", afirma Damon.

– EDUCAÇÃO: "Não há escolas preparadas para a educação infantil. Crianças de quatro e cinco anos sentam em carteiras de adulto e não têm material didático", afirma o secretário-adjunto de Educação, Giovane Lopes.

– EDUCAÇÃO:  Investimentos não acompanharam crescimento da cidade. Há falta de vagas porque há falta de escolas. Há seis anos não se compram carteiras. Prédios sucateados. Convênios com problemas na prestação de contas.

– SAÚDE: Mamógrafo do Centro Viva Vida ficou dois anos sem funcionar por causa da falta de uma tomada 220v. "Tem R$ 800 mil na conta do Viva Vida para gastar com a estrutura e o centro está subutilizado", afirma Damon.

– SAÚDE:  Mais de R$ 1 milhão em medicamentos foram perdidos por falta de planejamento na compra (validade vencida). Processos de compra foram suspensos em setembro de 2012, ou seja, 2013 começou sem estoque na Farmácia Popular e nos PSFs.

– SAÚDE:  A cidade está na iminência de um surto de dengue e o comitê estava desativado desde julho de 2012. Nenhuma ação de prevenção foi feita no segundo semestre do ano passado.

– SAAE: Inexistência de projetos, alto volume de desperdício de água, ETE operando abaixo da capacidade, parte da frota sem condição de uso, entre outros problemas.

– ITAURB:  Autarquia tem prejuízo acumulado de mais de R$ 15 milhões. "Se fosse uma empresa privada já estaria fechada", afirma dr. Damon.

– TV CULTURA: Equipamentos sucateados; prédio condenado pelo Corpo de Bombeiros; pendências legais com a Anatel; falta de funcionários.

– AÇÃO SOCIAL: Gasto com o Probom (Bolsa Aluguel) custa aos cofres públicos R$ 60 mil por mês; 67% dos profissionais na secretaria ocupavam cargos comissionados.