Projeto da Samarco e a polêmica da água em Santa Bárbara

Adutora que levará água de Brumal a Germano está quase pronta

Projeto da Samarco e a polêmica da água em Santa Bárbara

As obras de captação de água da Samarco em Brumal, distrito de Santa Bárbara, voltaram a causar polêmica entre moradores da comunidade. O projeto começou a sair do papel em 2011 e, desde então, diversas audiências públicas foram realizadas para tratar do assunto.

Apesar da contestação de alguns membros da sociedade em relação à execução da obra na ocasião, boa parte da população foi a favor durante as audiências públicas – esperançosa com as perspectivas de desenvolvimento. À medida que os serviços avançaram, a comunidade começou a perceber a real dimensão da situação e seus impactos negativos no dia a dia.
 
A água a ser captada no distrito de Santa Bárbara vai servir ao Projeto Quarta Pelotização (P4P) da Samarco. O mega empreendimento vai elevar a capacidade produtiva da empresa em 37% a partir de 2014 e empregar, no pico das obras, 13 mil pessoas.
 
Do investimento maciço, da ordem de R$ 5,4 bilhões, pequena parcela será aplicada em terras santa-barbarenses. De acordo com a Samarco, R$ 1,85 bilhão são utilizados nas obras do terceiro concentrador, em Germano (Mariana), R$1,6 bilhão no terceiro mineroduto (entre Minas e Espírito Santo); e R$1,95 bilhão na quarta usina de pelotização, no Espírito Santo.
 
Santa Bárbara apenas cederá seus recursos hídricos e receberá, em troca, algumas ações sociais e ambientais, consideradas pequenas por alguns membros da comunidade. Moradores de Brumal, que pediram para não ser identificados, reconhecem que é meio tarde para acordar. “Agora a empresa tem todos os licenciamentos e a obra está adiantada”, afirma um deles. “Devíamos ter posto a boca no trombone antes”, afirmou, sem disfarçar o descontentamento.
 
Entre as ações de responsabilidade social da empresa para Brumal estão: auxílio na implantação de uma escola de culinária, ajuda na implementação de uma oficina de costura, aulas de dança e criação de uma feira de artesanato. A mineradora ajudará na aquisição dos equipamentos, mas a gestão das atividades ficará a cargo da comunidade.
 
O projeto
O rio que fornecerá água ao P4P é o Santa Bárbara (união dos rios Conceição e Caraça), identificado como opção mais viável economicamente nos estudos feitos pela mineradora. A empresa tem todos os licenciamentos necessários e a empreiteira contratada já constrói o aqueduto.
 
A adutora consiste em um sistema de captação, com subestação de energia e salas elétricas em Brumal, e 40 km de tubulação entre o distrito de Santa Bárbara e a unidade industrial de Germano, Mariana.
 
A água será transportada em tubos subterrâneos até chegar à rodovia MG-129. Margeando a estrada, a adutora passará em Catas Altas até chegar ao concentrador da Samarco. Lá abastecerá os tanques de armazenamento para uso nas atividades industriais. O rio Santa Bárbara tem uma vazão mínima de 10.300 metros cúbicos por hora, que permite usar até 3.078 metros cúbicos. A Samarco afirma que utilizará 2.050 metros cúbicos por hora.