“Ele sabia que isso ia acontecer”, diz amigo de Hebinho, morto a tiros no sábado
Hebinho faria 26 anos no próximo dia 16 de fevereiro
Amigo "desde os tempos de infância" do mecânico montador Hebert Victor de Oliveira, Hebinho, 25 anos, morto a tiros na madrugada do último sábado em Itabira, DV – conforme pediu para ser identificado – disse que o jovem estava presentindo que ia morrer.
"Nós conversávamos muito. Ele era um cara tranquilo, mas reservado com a maioria das pessoas. Gostava de beber, tomar cerveja, mas não tinha envolvimento com droga não. Estava mais quieto nos últimos dias, visitou pessoas que não via há muito tempo, conversava sempre como se estivesse se despedindo. Parece que já sabia que isso (sua morte) ia acontecer", contou o amigo
Na entrevista à DeFato Online, DV recebeu a reportagem em sua casa, mas disse que preferia não ser identificado pois temia algum tipo de represália. "É gente barra pesada", disse, se referindo aos responsáveis pela execução de Hebinho. DV revelou outras peculiaridades do temperamento introvertido de Hebinho.
"Fazia algumas coisas meio doideira de vez em quando, coisas da juventude mesmo, eu acho. Mas a gente o aconselhava muito. Se ele pudesse ajudar alguém ajudava. Era um cara trabalhador e em quem se podia contar, mas com temperamento forte", acrescentou.
Pai de uma menina de 7 anos, Hebinho faria 26 anos no próximo dia 16. Ele era considerado "um cara sem igual" pelo amigo de viagem VM, que também preferiu não se identificar. Os dois passaram alguns dias no litoral do Espírito Santo, com amigos em comum, em dezembro passado.
"Na sexta-feira, um dia antes da morte, Hebinho pediu a uma amiga pelo Facebook para que, se alguma coisa acontecesse com ele, fosse colocado junto a seu caixão uma foto da filha, mas a família é superticiosa e não concordou. A foto foi colocada na parede, durante o velório", contou VM.
De acordo com a mãe do mecânico, a auxiliar de serviços gerais Rosa Ângela Jesus Oliveira, Hebinho não fazia uso de drogas nem tinha qualquer tipo de envolvimento neste sentido.
"Gostava de tomar sua cerveja sim, mas droga eu sei que não é. Ele gostava de beber, mas nunca teve problemas com drogas. O que esse cara fez!? Tá nas mãos de Deus! A justiça dos homens é lenta, é falha, mas a de Deus, essa não falha não. O que está preparado para ele, Deus sabe", desabafou.
Antes de concordar em conversar com a reportagem, Rosa Ângela disse que não tinha muito o que falar, que seu filho aparentava "um semblante de paz" e afirmava estar consolada por Deus.
A avó paterna Elvira Campos Oliveira disse apenas ter sido a responsável pela criação de Hebinho, até os 21 anos, idade em que ele resolveu voltar a morar com a mãe. Já o irmão mais velho, Harlisson Ângelo de Oliveira, 29, continuou a viver com os avós.
Crime
Hebinho foi executado com dois tiros, um na nuca e outro nas costas, por volta das 5 horas da madrugada do último sábado, 2, próximo a uma rotatória entre as ruas Antonina Moreira e Joaquim Moraes de Brito, no bairro Moinho Velho. O crime teria sido motivado por vingança.
As primeiras informações apuradas pela polícia, naquela madrugada, foram de que um homem usando bermuda preta teria disparado pelo menos cinco tiros contra a vítima e fugido a pé, em sentido à Estação Rodoviária Genaro Mafra. Militares fizeram o patrulhamento, mas não encontraram o suposto autor.