Apesar do medo e insegurança da população, criminalidade em Itabira diminui
Paulo Tavares disse que polícias Civil e Militar de Itabira atuam de forma eficiente e com sintonia
Embora tenha ocorrido queda no número de assaltos, roubos, invasões a domicílios e até de homicídios, entre outros crimes, se for comparado o ano de 2012 em relação a 2011, a sensação de insegurança e impunidade “continuam”. A afirmação é do Delegado Regional da Polícia Civil, Paulo Tavares Neto.
“Os números absolutos mostram que Itabira hoje, entre as cidades do estado de Minas com mais de 100 mil habitantes, é a que apresenta os melhores índices (de criminalidade), ou seja, os menores índices. Então eu vejo que é motivo de preocupação? É, porque é uma preocupação geral. Não adianta eu falar que os números mostram uma queda da criminalidade, porque há a sensação de desproteção, há sensação de impunidade e a sensação de insegurança da população continua crescente”, disse o delegado.
De acordo com Paulo Tavares, a diminuição da violência em termos numéricos não ameniza a sensação de que continuamos à mercê da ação de criminosos, principalmente pelo fato de que em termos gerais, no que tange a Minas Gerais, principalmente a região metropolitana de Belo Horizonte, a violência e criminalidade são crescentes.
“Essa insegurança não ocorre só pelo que acontece em Itabira, mas pelo que acontece no Brasil de uma forma geral. Não é só o crime que acontece em Itabira que vincula a opinião pública, que vincula a sensação de impunidade. É o conjunto de tudo que acontece no país que auxilia isso também e a população não está errada não. Não adianta ver friamente, estatisticamente os números. A pessoa que foi assaltada não quer saber se houve um assalto a menos, mas que ela foi assaltada”, ressaltou o delegado.
Tráfico de drogas
Apesar da redução de alguns tipos de crimes ao patrimônio e ao cidadão, as execuções relacionadas ao tráfico de entorpecentes, principalmente àquelas de disputa por pontos de venda, aumentou. A afirmação do delegado Paulo Tavares é comungada também pelo tenente-coronel Edvânio Rosa Carneiro, comandante do 26º Batalhão da Polícia Militar.
Ambos concordaram que as operações de repressão ao tráfico de drogas – especialmente as ocorridas no segundo semestre do ano passado, entre outras a que garantiu a prisão do “Mita” – feitas conjuntamente entre as polícias Civil e Militar – contribuíram muito para a diminuição do tráfico. Em contrapartida, elas geraram o aumento da violência entre as próprias quadrilhas.
“A desarticulação de uma determinada quadrilha de traficantes, como foi aquela no final do ano, gera uma disputa por ocupação de postos, de novas áreas, de novos comandos da rede de tráfico. E quando você retira de circulação um grande número de pessoas ligadas ao tráfico, como foi tirado, inibe a proliferação dessa rede; você provoca uma busca por novos recursos”, explicou o delegado.
“Então, obviamente aqueles indivíduos que atuavam com os traficantes que foram presos, eles tentam, de uma forma ou de outra, ocupar aqueles espaços e isso gera uma guerra entre eles. Parte desses homicídios está relacionada a isso”, acrescentou.
Paulo Tavares revelou ainda que em Itabira a parceria entre as duas polícias acontece de forma mais eficiente do que em qualquer outra região do estado e concluiu afirmando que a monitoração dos crimes ligados ao tráfico será ainda maior este ano.
“Outra parte (no aumento nas execuções) é com relação à atuação, tanto da Polícia Militar quanto da Polícia Civil, em termos de desarticulação de vendas destas substâncias. Se o tráfico não tem como angariar fundos com relação ao que está chegando e a gente tem tentado e conseguido diminuir um pouco essa situação (de venda da droga) a busca de recursos passa a ser a cobrança de dívidas antigas”.
O delegado completou: “Isso gera um número maior de assassinatos, de acerto de contas. Então não vou dizer que era uma situação esperada, mas era uma situação monitorada. Nós desconfiávamos que isto fosse acontecer”.