“Até que enfim o Estado está olhando para a nossa região”, afirma prefeito de Conceição
“Esses impactos que estamos sofrendo aqui se deve à ausência do Estado”, afirma Reinaldinho
Reeleito para mais um mandato como prefeito de Conceição do Mato Dentro, Reinaldo César de Lima Guimarães, o Reinaldinho (PMDB), tem pela frente grandes desafios a superar. Para garantir o futuro de cidades como a do Médio Espinhaço, o governo de Minas prepara o Plano Regional Estratégico, cujo objetivo é ajudar os prefeitos na estruturação das cidades que recebem grandes investimentos privados. No caso de Conceição do Mato Dentro, o principal projeto é o Minas-Rio, da Anglo American.
Em entrevista a DeFato Online, o chefe do poder Executivo afirmou: “Até que enfim o Estado está olhando para a nossa região. Isso [plano] já deveria ter sido montado há mais de 20 anos”.
O prefeito reconhece, contudo, que a iniciativa, mesmo que tardia, é muito bem-vinda. Quando foi convidado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru), antes das eleições, Reinaldinho pediu à Associação do Médio Espinhaço (Amme) que avisasse os demais prefeitos da região. O objetivo era pensar, já, em propostas a serem levadas ao Estado nas primeiras reuniões sobre o projeto. “A palavra é planejamento e parceria”, ressalta Reinaldinho.
Sete cidades se interessaram pelo convite. Os prefeitos de Ferros, Carmésia, Serro, Morro do Pilar, Santo Antônio do Rio Abaixo, Congonhas do Norte e Dom Joaquim chegaram a se reunir para debater suas deficiências. Mas passadas as eleições, boa parte dos prefeitos perdeu a política, e as discussões voltaram à estaca zero.
Em Conceição do Mato Dentro, as necessidades são diversas. “Precisamos de ajuda em tudo: saúde, educação, estradas vicinais, infraestrutrua, saneamento básico, entre outros. O impacto social é maior que o ambiental”, afirma o prefeito. “Esses impactos que estamos sofrendo aqui se deve à ausência do Estado”, complementa.
O plano
O governo do Estado vai investir R$ 755 mil em projetos, sendo R$ 380 mil para o plano do Norte do Estado (que compreende as microrregiões de Janaúba, Salinas e Grão Mongol) e R$ 370 mil para o Médio Espinhaço (que envolve Conceição do Mato Dentro e adjacências). Os planos serão elaborados pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sob a coordenação do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais (Cedeplar).
A ajuda do governo vem equilibrar uma parte prejudicada pela atividade minerária. Investimentos bilionários em mega projetos de extração trazem grandes benefícios igualmente equiparáveis, como geração de emprego e renda, arrecadação municipal e oportunidades para empreendedores. Mas também sobrecarregam a infraestrutura das cidades e alteram o dia a dia de seus habitantes, que nem sempre estão preparados para uma mudança brusca no cotidiano.
As empresas dão importantes contrapartidas, além dos royalties provenientes de suas explorações que incrementam os caixas municipais. Mas se não houver planejamento por parte da gestão pública, a aplicação do dinheiro pode ser comprometida.
O objetivo do governo de Minas é exatamente traçar diretrizes para estruturar melhor estes municípios nas áreas de saúde, educação, defesa social, mobilidade urbana, habitação, saneamento, etc., para que os impactos sejam menores. O plano contempla ações de curto, médio e longo prazo e terá a participação da comunidade em sua elaboração, com a intenção de atender às demandas levantadas e garantir a eficácia das futuras ações promovidas pelo poder público.