Tradição das pastorinhas é mantida por mulheres em Ipoema

Do interior de Minas Gerais, a repórter Liliana Junger traz uma tradição do Natal que tem sido preservada – e transmitida de mãe pra filha. Ipoema é o vilarejo onde mora dona Berenice. Essa época é de avental, lenço na cabeça e visual caprichado. E lá vai ela. O encontro é na porta da igreja. […]

Tradição das pastorinhas é mantida por mulheres em Ipoema

Do interior de Minas Gerais, a repórter Liliana Junger traz uma tradição do Natal que tem sido preservada – e transmitida de mãe pra filha.

Ipoema é o vilarejo onde mora dona Berenice. Essa época é de avental, lenço na cabeça e visual caprichado. E lá vai ela. O encontro é na porta da igreja. São as pastorinhas, que visitam o menino Jesus.
 
“É uma alegria, sabe? Esse encontro das pastorinhas vem de muitos anos. A minha mãe foi e então eu estou seguindo”, disse Berenice Figueiredo, professora.
 
O grupo sempre foi formado por mulheres. Pela primeira vez, e com roupas bem coloridas, as meninas também vão participar.
 
“Eu estou me sentindo muito emocionada”, disse uma menina.
 
E ao som da viola o anjo puxa a fila e elas entram cantando. A apresentação é ao lado do presépio. Cada gesto tem um significado. As cabeças que se tocam simbolizam a união e o fortalecimento da fé.
 
Da igreja, as pastorinhas seguem pelas ruas. Quem tiver um presépio em casa pode abrir as portas para que elas visitem o menino Jesus. A primeira casa foi a de dona Lilita, de 97 anos.
 
“Parece que a gente está flutuando. Muito bom mesmo”, disse Marília Freitas, dona de casa.
 
A cada visita as pastorinhas mudam os passos, as músicas.
 
“Quando vê que a casa está desanimada, aquele baixo astral, aí nós já chegamos, já convidamos a família pra chegar. Ou vem cá pra cá, vem reunir, vem dançar”, ressaltou Nilda Maria Santos, artesã. 
 
“Tantos lugar bonito que tem pra elas ir e elas vem aqui na minha casa. Isso é um prazer. Nada melhor”, afirmou Maria Marta Vitor, secretária.
 
A praça é a última parada. No presépio, em tamanho real, as pastoras oferecem presentes pra comemorar o nascimento de Cristo. E a festa fica ainda mais animada com o trança-fita. Os movimentos e as tiras coloridas lembram uma árvore de Natal.
 
“O nascimento é uma festa. Então é uma festa que eles estão fazendo pro menino Jesus”, disse uma mulher.