Um advogado-poeta

Nascido no Carmo, o advogado Jandiro Chaves também se dedica à poesia

Um advogado-poeta

 

O advogado Jandiro Lage Chaves, 54 anos, defende a aplicação da Justiça há 26 anos, trabalho que desempenha com muito orgulho. Mas quando não está empenhado em definir as estratégias de defesa de seus clientes, o itabirano nascido em Senhora do Carmo externa seu outro lado: o poeta. Filho de Alceu Rosa Chaves, fazendeiro, e Maria da Conceição Lage Chaves, professora, Jandiro descobriu o gosto pela poesia ainda criança, antes mesmo de conhecer Drummond.
 
Embora não tenha intenção de se tornar um literato de renome, já publicou quatro obras e outras vêm por aí. “É uma forma de extravasar, expor mesmo os sentimentos”, diz. Todos os seus trabalhos publicados até hoje são independentes: “Natureza e Natural” (2003), “Fragmentos” (2006), “Vênus” (2008) e “Noturnos” (2009).
 
Os poemas são escritos à medida que surgem as inspirações. Como não há como prever quando uma nova ideia virá à cabeça, Jandiro tem sempre à disposição lápis e bloco de anotações. Em casa, o material está por todo canto esperando o momento de materializar mais uma expressão artística. Situação semelhante pode ocorrer também no escritório ou durante uma viagem. “Minha família me influenciou um pouco. Eram pessoas que gostavam de versos”, relembra, sobre a infância.
 
Jandiro lançou apenas uma de suas obras e não se preocupa em ganhar dinheiro com a venda delas, mas sempre doa 10 exemplares de seus livros a cada uma das escolas públicas de Itabira. “Vênus”, por ser essencialmente romântico, é o que mais tem feito sucesso entre os adolescentes – embora tenha sido escrito para o público adulto. “Sempre sou convidado a participar de eventos nas escolas”, conta. Neste mês de novembro, inclusive, o poeta e advogado participará de um encontro com estudantes na escola municipal Palmira de Moraes, no bairro Colina da Praia.
 
Mesmo apaixonado pela poesia desde criança, Jandiro escolheu a advocacia como profissão. Formou-se na Faculdade de Direito de Itaúna, há 26 anos, e desde então defende a aplicação da lei. Não arrisca, contudo, usar um pouco de poesia em suas sustentações perante os magistrados, como fazem alguns de seus colegas. “Não faço isso porque não gosto de rimas”, afirma, ao ressaltar que separa muito bem as duas coisas.
 
Irmão de Paulo Valério e primo de Roberto Chaves, Jandiro poderia ter uma inclinação política. Mas sobre o assunto, ele afirma: “Participo só com o exercício do meu voto”. Em um de seus poemas, diz: “Meu mundo é grande: está aqui, lá, acolá, no infinito mais além, além do mar… Meu mundo é vasto e não se resume”. Para quem aprecia as obras deste filho de Itabira e conterrâneo de Drummond, uma boa notícia. Em breve ele lançará também livros de conto.