Infância em vários cliques
Augusto, aos seis meses, já se mostra confortável com os flashes: fotógrafos profissionais vão até a casa dos pequenos para fazer os registros
Há alguns anos, registrar os melhores momentos dos filhos por meio de fotos não era tão comum para a maioria das pessoas. As ocasiões especiais, como aniversários e batizados, eram os raros momentos em que se tiravam os famosos “retratos”. Atualmente, além das milhões de fotos amadoras, registradas por câmeras digitais e celulares, existem até profissionais que fotografam as crianças fase a fase, desde os primeiros dias de vida. E o que antes era privilégio de poucas crianças, passou a ser algo rotineiro na vida delas.
A vendedora Paula Cristina Martins Mendes de Assis, 28 anos, de Rio Piracicaba, é integrante de uma geração em que o 3×4 era o registro mais comum. Ela revela que a filha Angelina, de apenas 4 meses, já tem o seu book feito por uma fotógrafa profissional. Paula declara que a facilidade atual em nada lembra a sua infância. Na época, ela só ficava sob os cliques em aniversários e ocasiões especiais, pois adquirir uma câmera fotográfica não era algo tão fácil quanto hoje. “A tecnologia nos proporciona maior facilidade, com melhores equipamentos e profissionais”, diz. A vendedora registra cada momento de Angelina com a intenção de futuramente mostrar à menina todas as fases de sua vida, além de reviver a qualquer hora esses instantes. Feliz com os resultados dos cliques, mais do que um registro, Paula afirma que os flashes têm como finalidade a aproximação: “Coloco várias fotos no Facebook porque tenho muitos parentes que moram fora, então eles vêem a Angelina por meio da rede social”.
Grande parte dessa alegria foi proporcionada pela fotógrafa Débora Guimarães, que captou os melhores momentos da pequena Angelina. Débora, que é formada em Jornalismo, reside em João Monlevade há nove anos. Especialista em fotografia de crianças, gestantes e famílias, ela comprou sua primeira câmera em 2007, quando começou a acompanhar o crescimento de sua prima recém-nascida, com fotos a cada mês, o que fez com que se apaixonasse pela temática.
Com clientes em João Monlevade, Rio Piracicaba e Belo Horizonte, Débora diz que os pais a contratam com a intenção de fazer o mesmo que ela realizou com a priminha: acompanhar o desenvolvimento dos pimpolhos. “Tudo isso com o diferencial que são fotos únicas, espontâneas, inusitadas, em ambientes que tenham total relação com o dia-a-dia da família e da criança”, explica. Com uma agenda sempre cheia, Débora se divide entre os diversos ensaios, que podem ser em locais previamente escolhidos por ela (para os adultos), ou em casa para os pequenos, com utilização de cada espaço, cada detalhe do lar. Em maio deste ano, a profissional fez um curso de fotografia newborn, estilo muito utilizado nos Estados Unidos, onde o fotógrafo capta os primeiros dias de nascimento da criança, quando seu corpo é maleável e o bebê dorme mais profundamente, permitindo posições estratégicas. Ainda que os recursos e facilidades atuais sejam maiores, Débora pode considerar-se privilegiada. “Eu não posso me queixar, porque minha mãe me fotografou bastante quando pequena. Claro que meus álbuns, em quantidade de fotos, nem se comparam aos da minha irmã, que tem metade da minha idade e muito mais que o dobro de fotos”, afirma.
Aproveitando cada flash
Aos dois anos e cinco meses, a itabirana Laura está bastante familiarizada com os flashes. E não é de hoje. Antes de ela vir ao mundo, sua mãe, a dentista Fernanda Santos Duarte, tratou de registrar sua gravidez até o parto. Após o nascimento, todos os meses até completar um aninho, a menina era presença constante no estúdio, sendo registrado também seu batizado e mais recentemente, o aniversário de dois anos e até seu primeiro dia de aula. Fernanda conta que seu primeiro book profissional foi o de gestante e que ficou tão satisfeita com o resultado que não parou mais. Ela sempre tira fotos da família e de todos os momentos importantes de sua vida, como forma de se eternizar tais ocasiões. Costume que ela carrega desde a infância e adolescência. Quando poucos levavam uma câmera fotográfica a tiracolo, Fernanda e os irmãos sempre estavam sob a mira de uma máquina. “Tirávamos bastante fotos e hoje é bem mais”, assegura. E no que depender da dentista de 34 anos, uma apaixonada pela arte em imagens, o hábito perdurará: “Sempre que puder, vou tirar fotos da Laura”, já avisa.
O responsável pela satisfação da dentista é o fotógrafo itabirano Rodrigo Reis, da Art Designer Fotografias. Ele já perdeu a conta de quantas crianças fotografou. Curiosamente, ele não tem fotos de quando pequeno. “Confesso que sempre quis saber como eu era, como me comportava e principalmente, a minha mãe grávida de mim”, lamenta. Rodrigo diz achar fascinante o tema infantil, tanto que seu interesse em fotografar crianças surgiu das múltiplas possibilidades de poses e cenários que a criatividade pode trazer. O tema chama a atenção do fotógrafo não somente pela beleza e fragilidade dos bebês, mas em como uma simples foto, um leve sorriso ou até mesmo um choro emociona tanto os pais. “Eles amam todas as fotos, se tirarmos 100 fotos, eles gostam das 100, se tirarmos mil, iguais ou semelhantes, eles também amam tudo. É muito prazeroso ver o resultado do nosso trabalho, sendo refletido em um sorriso ou uma vibração dos pais, que é nossa motivação”, garante.
Se antigamente, o profissional não tinha acesso aos aparatos tecnológicos para seus registros pessoais, hoje, ele usa e abusa destas ferramentas com seus clientes. Além de realizar trabalhos com o público infantil, casamentos, debutantes e outros temas, Rodrigo utiliza das épocas festivas como Natal e Carnaval, aliando muita criatividade com um objetivo: imaginar qual será a reação dessa criança ao ver suas fotos quando estiver mais velho. Alguém duvida que elas vão gostar?
DICAS PARA PAPAIS E MAMÃES
Embora a tarefa pareça difícil, fotografar crianças não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, como a maioria das pessoas imaginam. Seguindo as dicas dos fotógrafos Débora Guimarães e Rodrigo Reis, capturar os momentos especiais pode ser algo bem divertido.
– Quando for fotografar crianças, evite pedir para que ele sorria. Um sorriso espontâneo, uma careta, um olhão de susto muitas vezes resultam em fotografias mais belas e gostosas de ver do que aquelas com um “sorriso amarelo”. A criança precisa se sentir à vontade, sentir que você está ali para brincar com ela. Se conseguir isso, o sorriso sai fácil, naturalmente.
– Crianças são pequenas, certo? Então, uma dica valiosa é fotografá-las do mesmo plano. Ou seja, abaixe até o nível dela, ficando da mesma altura ou aproximadamente. Ajuda muito esteticamente e não diminui a criança. Mas nem por isso você deve deixar de buscar outros ângulos. Por exemplo: se a criança está de pé e você também, chame sua atenção de modo que olhe para cima. Elas ficam lindas assim!
– Aproveite as brincadeiras que a criança gosta para fotografá-la. Além de estar entretida, será uma lembrança que ela terá depois de adulta.
– Nunca force a criança a ser fotografada. Seja em eventos ou em estúdio, a presença do fotógrafo não pode intimidá-la. Se os pais insistem e os pequeninos não estão dispostos a tirar fotos no dia, então, melhor mudar de ideia e esperar. É fácil notar nas fotos quando a criança está sentindo prazer e quando está fazendo algo contra sua vontade.
– Tenha tempo e tranquilidade na hora de clicar. Uma música ajuda e as crianças adoram. Valem até caretas, pulos e muitas gargalhadas, tentando entrar no clima.
– Enfim, criança gosta de brincadeira, de estar à vontade. Não pressione, estimule o que ela tem de melhor. Aí, é só aguardar os melhores momentos!