“Amigo é coisa pra se guardar…”
Larissa Viana, de 23 anos, tem amigos no Recife, Rio de Janeiro e São Paulo e mantém contato com eles por meio do Orkut, MSN e e-mail
Nesta quarta-feira, 20 de julho, comemoramos o Dia do Amigo, aquele que está conosco nos momentos alegres, divertidos, mas que sabe oferecer o ombro e a atenção para dividir os momentos de dificuldade. Como diz a Canção da América, composta por Fernando Brant e Milton Nascimento: “Amigo é coisa para se guardar/ No lado esquerdo do peito/ Mesmo que o tempo e a distância digam "não"/ Mesmo esquecendo a canção/ O que importa é ouvir/ A voz que vem do coração”. Reunimos duas histórias: uma mostra que a amizade pode ser feita (e mantida) mesmo com a distância geográfica; a outra expõe a tentativa de salvar a vida de uma amiga da família.
Amizade além da internet
Por meio das redes sociais, os internautas conhecem e se comunicam com pessoas que moram em cidades distantes. Os contatos online podem se transformar em amizades, como é o caso da professora de inglês Larissa Viana, de 23 anos. Ela tem amigos no Recife, Rio de Janeiro e São Paulo e mantém contato com eles por meio do Orkut, MSN e e-mail.
Alguns de seus amigos são Thamires e Jorge, que começaram a conversar com Larissa em uma comunidade do Orkut. “O jeito que a gente se conheceu foi muito engraçado: eu curtia Los Hermanos em 2006 e entrava nas comunidades que falavam sobre a banda. Nós três criamos a Mesa de Bar dos Hermanos, que é uma comunidade para discutir sobre assuntos ligados ao grupo. Nela, conheci várias pessoas, inclusive o Jorge e a Thamires”.
Mesmo após o fim da banda que os amigos curtiam, o contato manteve-se ao longo dos últimos anos. Ela conta também que, depois de certo tempo, os amigos marcaram encontros para se conhecerem pessoalmente. “A Thamires veio para Belo Horizonte e nos encontramos; o Jorge veio para Itabira visitar uma amiga que temos em comum e a gente se conheceu. Os encontros agora são mais raros, devido ao nosso trabalho e estudo”, relata.
Larissa afirma que as amizades iniciadas no mundo virtual podem dar certo. “Por meio das redes sociais, dá para fazer novas amizades, relacionamentos e é uma forma de conhecer outras culturas. É muito legal, porque a Thamires, por exemplo, tem uma vida e um sotaque muito diferente. Ela sempre chama para a gente ir ao Recife e tenho muita vontade de conhecer a cidade”, comenta.
Ela acredita que, com o tempo, é possível perceber se a pessoa é confiável ou não. “Mesmo uma pessoa teclando durante um dia para contar sobre a vida dela, não é possível conhecê-la totalmente. Acho que não é tão diferente do contato pessoal. Uma coisa que faço é pedir para a pessoa contar a história várias vezes: se divergir, tem alguma coisa estranha. Não dá para confiar totalmente, pois não se sabe quem está do outro lado”, afirma.
Sobre a importância de se ter amigos, Larissa enfatiza: “Você sempre vai precisar de alguém para te dar apoio, enfrentar os momentos difíceis, ser feliz junto com você. Não se vive sozinho”.
Amizade e doação para salvar vidas
Professor de Educação Física, Joaquim Teodorino Olímpio trabalha na academia da Aposvale em Itabira. Ele acompanha os frequentadores nas atividades físicas, mas também mostra a importância das atividades relacionadas à cidadania. Joaquim é doador de sangue e marca presença nos dias em que os técnicos de saúde fazem a coleta em Itabira.
A conscientização sobre a importância desse gesto começou há aproximadamente dez anos, quando iniciou seu trabalho na Aposvale. “Perguntaram para mim: você tem vontade de doar sangue? De lá para cá, continuei a fazer isso. Sempre que há campanhas de doação e temos disponibilidade e condições, faço isso. Quando alguém me fala que uma pessoa está precisando, digo que pode colocar meu nome na lista para doar”, comenta.
Algumas doações foram destinadas a amigos, como uma senhora que mantinha convivência de longa data com a família de Joaquim. “A amiga era vizinha de frente de minha antiga casa, no centro da cidade. Eu e meus irmãos somos amigos dos filhos dela até hoje. Fomos criados no fundo da cozinha da casa dela”, recorda-se.
A senhora teve um sério problema de saúde, foi internada em um hospital de Belo Horizonte e precisou de transfusão. A família se mobilizou em busca de doadores e Joaquim foi um deles. “Os filhos me agradeceram demais, éramos amigos desde crianças, mas a senhora faleceu há pouco tempo. Fizemos nossa parte, e Deus quis que não a deixasse sofrer”.
Joaquim conta que as pessoas ficam sabendo quem doou e quem vai receber a bolsa de sangue coletada. Acrescenta também que há amizades que começam entre doador e receptor. “Doei para várias pessoas que estavam precisando: a gente se encontra na rua, conversa, elas agradecem por eu ter feito essa doação e até hoje temos um laço de amizade muito forte”, diz o professor.
O professor explica que o cadastramento de doadores é simples e é feito em Itabira, mas que a pessoa deve ser sincera e ter seriedade para falar sobre problemas de saúde, medicamentos que utiliza, se tem tatuagem ou piercing, entre outras questões. “O sangue vai para análise e, se tiver algum problema, eles vão te chamar”, ressalta.
Ele aponta os benefícios de fazer esse gesto: “O ato de doar faz a pessoa se sentir bem. Deus está olhando quem está se doando ao próximo. Quando a pessoa faz isso, não quer ter nada de volta, apenas quer ver a pessoa ficar bem. Acho importante doar sangue, doar um pouco da gente para contribuir com as pessoas”. Ele acrescenta que é necessário mobilizar as pessoas sobre a importância dessa atitude, já que o número de pessoas que precisam é muito maior do que as que fazem doação de sangue. “Isso é muito sério: é uma vida que está em risco”, finaliza.
Clique e veja as homenagens enviadas pelos internautas por meio do DeFato Repórter.