“Sei que posso adoecer porque somos humanos”, diz padre em greve de fome
José Geraldo está há 11 dias em greve de fome
O pároco da Igreja Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no bairro João XXIII, José Geraldo de Melo, enviou uma carta à comunidade itabirana no último sábado, 18 de junho. A greve de fome dele (que a Igreja Católica chama por jejum permanente) chegou ao 11º dia nesta segunda-feira, 20 de junho. No comunicado, o religioso diz que está bem de saúde, mas admite a possibilidade de adoecer.
Na carta que escreveu aos itabiranos, o padre fala da situação dos moradores do bairro Drummond e explica que está em jejum permanente para tentar sensibilizar as autoridades locais a resolverem o problema da desocupação do terreno da família Rosa. José Geraldo apenas tem bebido água e comungado a hóstia. “Acredito na força da oração e na força do jejum”, afirma o religioso.
O padre diz que as famílias que estão acampadas em frente à Prefeitura não estariam lá, submetidas a todas as dificuldades, como o frio, se não fosse de extrema necessidade. Para ele, isso vale o jejum. “Há também muita gente preocupada comigo e com a minha situação de saúde. Até o momento, estou me sentindo forte, estou bem, inclusive celebrando e atendendo à pessoas. Continuo rezando e pedindo força de Deus, o que não vai me faltar. Mas sei também que posso adoecer porque somos humanos. Mas, continuarei o jejum até que seja resolvida de forma justa a situação destas pobres famílias”, argumenta o padre.
No fim da carta, o padre se mostra preocupado com o desfecho da ordem de despejo dada pela Justiça de Itabira. Ele considera que o Poder Público será o responsável pelas consequências e pelo que chama de “ferida que pode ficar marcada por muito tempo na vida desta cidade”. Os moradores do aglomerado Drummond têm até o dia 31 de julho para deixar o terreno onde estão assentados.