Presidente da Funcec afirma que instituição não aceitará mais “alunos caloteiros”

Para o presidente da Funcec, Francisco Américo, inadimplência compromete missão de educar

Presidente da Funcec afirma que instituição não aceitará mais “alunos caloteiros”
O presidente da Fundação Comunitária Educacional e Cultural de João Monlevade (Funcec), o advogado Francisco Américo de Barros, afirmou que a instituição não vai aceitar mais a presença de “alunos caloteiros” em suas dependências.
 
A declaração foi feita durante a sessão ordinária da Câmara Municipal ocorrida na tarde dessa quarta-feira, dia 15. Utilizando-se da Tribuna Popular, o presidente explicou para os vereadores e comunidade presente no Plenário que a situação da instituição não é diferente das demais faculdades da região. “A Funcec tem a missão de educar, mas ultimamente temos visto o crescimento da inadimplência. E nesse ano, a inadimplência de 1 milhão fez com que a situação ficasse insuportável”, disse.
 
O índice de inadimplência dos últimos cinco anos, conforme Nota divulgada à imprensa no mês de maio totalizava o valor de R$ 4.298.329,10 (quatro milhões, duzentos e noventa e oito mil, trezentos e vinte e nove reais e dez centavos), conforme dados da Assembleia Geral do dia 20 de abril de 2011.
 
Segundo Francisco Américo, a Funcec possui mais de 40 anos de atividade e sempre primou pela qualidade, formando cidadãos de caráter para contribuir com o desenvolvimento de Monlevade e cidades vizinhas. Em sem recursos financeiros, a estrutura e a qualidade do ensino ficariam comprometidos. Por isso, a instituição resolveu se pronunciar na mídia e agora na Câmara. “O conselho decidiu que não haveria tolerância da inadimplência… Estudantes caloteiros não serão aceitos mais. Ou paga ou sai. Temos que dar um basta”, sentenciou.
 
Funcesi
O presidente relatou que a Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira (Funcesi), também passa pelo mesmo problema. “Eles nos visitaram para saber o que estamos fazendo para resolver o problema”, disse Francisco Américo, que aproveitou a oportunidade para pedir o apoio dos vereadores. A colaboração (financeira) da Câmara também foi cogitada pelo advogado.
 
Quanto às especulações de que a instituição poderia fechar suas portas, o presidente foi categórico em afirmar que a Funcec é sólida e continuará com a sua missão de educar.
 
Avaliação das possibilidades
De acordo com o presidente da Câmara, o vereador Pastor Carlinhos (PV), a situação da Funcec é um fato comum em nosso país. “O ideal é que nossos filhos estudassem e se formassem em nossa cidade. Quem sabe, futuramente, possamos fazer um convênio”, afirmou.
 
Para o vereador Zezinho Despachante (PP), a situação é difícil, mas não impossível de se resolver. Ele pediu a continuidade do diálogo com os alunos e seus pais para analisar a questão das mensalidades em atraso. “Esperamos que os alunos que estão inadimplentes pensem e possam acertar parte das mensalidades, porque é delas que sobrevive a Funcec”, declarou.
 
Na opinião da vereadora Dorinha Machado (PMDB), uma das consequências do problema financeiro da Funcec está na continuidade do ensino de qualidade e da sobrevivência de alguns cursos. “Tentamos recentemente contratar um estagiário do curso de jornalismo e não conseguimos”, recordou-se a pmdbista.
 
Já os vereadores do PT, Dulcinéia Caldeira e Belmar Diniz, ambos da área da Educação, foram solidários com o presidente Francisco Américo. Segundo Dulcinéia, a Câmara poderia abrir bolsas de estudos para funcionários na área de graduação. “Já temos duas pessoas com pós-graduação”, disse ela. Belmar lembrou da oportunidade em que esteve com o presidente da faculdade para tratar do assunto. “Cheguei a sugerir ao senhor uma parceria para criação de bolsas de estudo com a Fumarc (Fundação Mariana Resende Costa – Puc Minas) em Belo Horizonte”, referiu-se a uma das possibilidades de se reduzir a inadimplência. Ele apresentou também a opção de aumentar as cotas do ProUni.
 
Solução rápida
O ideal para a Funcec nesse momento é que a Câmara Municipal e comunidade se mobilizem para buscar uma solução rápida e eficaz para conter o crescimento do índice de inadimplência registrado nos últimos anos.