Saae estima que captação de água no Rio Tanque exija investimentos de R$50 mi
Jorge Borges falou sobre o novo sistema de captação de água
Para marcar do Dia Mundial da Água, comemorado ontem, 22 de março, a Câmara de Vereadores de Itabira convidou representantes do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) para falar sobre o tema durante a reunião ordinária. A autarquia foi representada pelo seu diretor técnico, o engenheiro Jorge Borges. Ele falou sobre o que considera um dos maiores problemas de Itabira: a insuficiência de abastecimento de água. A solução apontada pelo Saae é um novo sistema de fornecimento, cujo local ideal é o Rio Tanque. De acordo com o diretor, a implantação do sistema está orçada em R$50,4 milhões.
O local ideal para a captação do Rio Tanque está a 18 quilômetros do Centro de Itabira. Jorge Borges explicou que a distância é relativamente pequena, principalmente quando se compara com municípios de grande porte, como São Paulo, que chega a captar água a 200 quilômetros de distância. O fornecimento de Itabira hoje, somando a vazão dos três pontos de abastecimento mais os poços artesianos, é de 35 milhões de litros por dia. O ideal para a cidade, de acordo com dados apresentados pelo diretor do Saae, seria de mais de 70 milhões de litros por dia. “Itabira não tem hoje abastecimento o suficiente para atender um grande empreendimento industrial”, afirmou.
Segundo Jorge Borges, em 30 anos, o custo da nova estação de captação de água, levando-se em conta não só os investimentos para a implantação, mas também gastos com energia e mão de obra, pode superar a casa dos R$72,4 milhões. Esse cálculo é feito tendo como base os valores praticados atualmente, para 21 horas de funcionamento por dia.
No mês passado, o Saae anunciou que a Prefeitura de Itabira conseguiu R$1,22 milhão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, para elaborar o projeto executivo da nova estação. O Termo de Referência, necessário para que o projeto seja montado, já está pronto e foi entregue à Caixa Econômica Federal. Só depois da aprovação desse documento por parte do banco é que poderá ser feita a licitação para escolha da empresa que vai fazer o plano de execução da obra.
Depois da explicação do diretor, os vereadores puderam fazer perguntas ao engenheiro do Saae. Paulo Chaves (PSDB) demonstrou preocupação com os custos do projeto e de como o município vai buscar recursos para fazer o novo sistema de captação. Jorge Borges explicou que só depois do projeto executivo pronto é que a Prefeitura vai atrás de verba, nas esferas Estadual e Federal, para fazer a nova estação.
Já a vereadora Martha Mouzinho (PTN) mostrou-se temerosa com o fato de Itabira não ter potencial de distribuição de água para acolher grandes empreendimentos. Ela questionou quanto tempo demoraria para a nova estação ficar pronta e o que poderia ser feito de imediato para solucionar o problema da incapacidade de fornecimento das atuais fontes de distribuição. Jorge Borges respondeu que a expectativa do Saae é de que as obras estejam concluídas dentro de quatro a cinco anos e que, até este prazo, as atuais estações são capazes de atender da maneira que está hoje.
Caso demore mais do que previsto, a solução seria fazer micro-captações. Jorge explicou que o Saae possui algumas reservas estratégicas, que forneceriam água em menor quantidade. Um exemplo citado por ele foi o Rio de Peixe. Uma construção de uma pequena estação lá exigiria investimentos de R$2 milhões, segundo o engenheiro.