Ex-carpinteiro é condenado a cinco anos de prisão por matar o cunhado
Nova Era – Terminou nessa quarta-feira, dia 9, a longa espera da família de Ozanil Leite, morto no dia primeiro de dezembro de 1996, em Bela Vista de Minas, pelo próprio cunhado, durante discussão sobre uma aposta de futebol. O autor do homicídio, o ex-carpinteiro Carlos Roberto da Silva, de 47 anos, foi julgado no […]
Nova Era – Terminou nessa quarta-feira, dia 9, a longa espera da família de Ozanil Leite, morto no dia primeiro de dezembro de 1996, em Bela Vista de Minas, pelo próprio cunhado, durante discussão sobre uma aposta de futebol. O autor do homicídio, o ex-carpinteiro Carlos Roberto da Silva, de 47 anos, foi julgado no início da tarde, no Fórum Dr. Leão de Araújo, da Comarca de Nova Era, pelo conselho de sentença formado por sete jurados que o declarou culpado pelos seus crimes de homicídio e tentativa de homicídio. Ele foi condenado à cinco anos de reclusão com início de cumprimento da pena em regime de semi-aberto e poderá recorrer em liberdade. Porém, Carlos Roberto fica impedido de se ausentar do país e a arma utilizada no crime será encaminhada ao Exército Brasileiro.
O julgamento durou sete horas e meia e teve dois intervalos. Apesar do calor intenso que fazia na cidade, familiares da vítima e réu aguardaram até o fim a sentença proferida pelo juiz e presidente do Júri Henrique Mendonça Schvartzman.
Antes mesmo do julgamento se iniciar, a reportagem do DeFato Online questionou o advogado de defesa Sebastião Eustáquio de Carvalho sobre as reais chances de seu cliente. Segundo ele, “seria difícil o meu cliente ser absolvido devido ter cometido dois crimes”. Sebastião Carvalho e o seu assistente, o advogado Cristiano Prates Leite dos Reis, trabalharam na linha de que apesar do ato cometido pelo cliente, não havia a intenção de matar. “Houve sim um ato de imperícia e imprudência do Carlinhos em usar uma arma que não tinha conhecimento e nem destreza”, teria dito a defesa ao júri.
Já os familiares da vítima, já davam indícios de que não aceitariam uma pena branda. A maioria vestia uma camisa branca com uma foto da vítima e a seguinte frase nas costas: “Saudades: o tempo nunca apagará você de nossa lembrança”. De acordo com a irmã de Ozanil, Erlaine Perla Leite Mendes, de 34 anos, que acompanhou os acontecimentos no dia, esperava que a justiça fosse feita e que o réu saísse do tribunal com a sua sentença decretada. “Eu presenciei tudo na casa da minha irmã (Eliana) que havia ganhado o carro no Bingo de Monlevade”, afirmou ela citando que Carlos Roberto havia bebido e estava armado. O fato ocorreu durante a comemoração, num dia de muita alegria para todos, segundo palavras dos familiares de Ozanil.
Durante o julgamento foram ouvidos: a esposa do réu, Ozânia da Conceição Leite da Silva (como informante), o vereador de Bela Vista de Minas Girson de Ávila Silva (como amigo e vizinho das duas famílias), e o próprio Carlos Roberto que foi interrogado pelo juiz.
O promotor público Aylor Luiz Meirelles Júnior lembrou aos jurados que havia contradição nos depoimentos prestados pela senhora Ozânia na delegacia e no dia do julgamento. Em seu discurso ele repetiu as mesmas palavras usadas pela esposa do réu e irmã da vítima. “Ela desentoou totalmente o depoimento hoje em relação à época dos acontecimentos”, alegou o promotor a se referir a dois fatos importantes.
No primeiro, Ozânia afirmava que o marido havia comprado a arma de Ozanil (e que ele possuía uma outra, menor, que parecia de brinquedo) há um ano e que o irmão nunca mais a havia visto. Entretanto, no julgamento, mudou a versão dizendo que a arma havia sido levada à festa pelo irmão e que o marido havia pedido para não entregá-lo o objeto naquele momento. A arma teria ido parar debaixo de um colchão de uma cama de solteiro na casa da cunhada Eliana no meio da festa.
O outro fato é que Ozânia não mencionou na época sobre o filho menor estar envolvido com a aposta para o jogo Portuguesa x Atlético Mineiro, feita entre Ozanil, Carlos Roberto e Ezequiel Martins (amigo da família que veio da zona rural participar da festa). E mais, que no primeiro depoimento, ela declarava que tinha certeza de que o marido teria ido para o Bingo, em Monlevade, já armado, porque não teria voltado em casa e seguido direto para a festa. Já no julgamento, ela aparece com a versão de que impediu que o marido entrasse na aposta porque teriam que preparar a festa do filho.
Sofrimento e desespero
As filhas e viúva de Ozanil Leite não se conformaram com a pena dada a Carlos Roberto Silva. Chorando muito e gritando que a justiça não havia sido feita naquele dia, elas precisaram ser contidas pelos demais familiares. Os policiais, que acompanharam a saída do condenado, pediram calma e ordem. Uma das mais insatisfeitas com a sentença, a filha Flávia Leite que hoje mora em Belo Horizonte, desesperada perguntava a Deus se havia se esquecido de sua família e de tudo que passaram até aqui. O momento foi de muita tristeza e tensão.
O caso
Jornais da época relataram que a família Leite comemorava o fato da irmã de Ozanil, Eliana, ter recebido um carro em um bingo realizado em João Monlevade. O filho de Carlos Roberto (sobrinho de Ozanil) e o amigo da família, Ezequiel Martins, começaram a falar sobre futebol. Carlos Roberto ficou insatisfeito por ver o filho ser alvo de brincadeiras e entrou na discussão. Ozanil tentou interferir para evitar que o cunhado matasse Ezequiel com um revólver calibre 38, mas foi atingido por um tiro dos dois tiros disparados contra ele e morreu. Após atirar no cunhado, Carlos Roberto perseguiu Ezequiel e fez cinco disparos: três delas ficaram alojadas no corpo de Ezequiel. As mesmas não puderam ser removidas. Uma delas foi parar na coluna. Mesmo assim, ele conseguiu sobreviver. A prisão preventiva foi decretada após o crime. Em 1999, a família de Ozanil chegou a divulgar que pagaria uma recompensa para quem soubesse do paradeiro de Carlos Roberto, que fugiu após o homicídio, ficando nove anos nos Estados Unidos clandestinamente. Anos depois, Carlos se entregou à polícia e aguardava o julgamento em liberdade.
Atualmente, Carlos vive em São Félix de Minas, cidade com pouco mais de três mil habitantes, com a esposa e filhos, onde é proprietário de um depósito de construção e possui uma casa e uma fazenda.