Madoff mineiro enfrenta divórcio

Antes mesmo de enfrentar as primeiras 24 horas atrás das grades, o ex-investidor e dono da Firv, Thales Maioline, de 34 anos, ficou sabendo que a mulher dele, Maria Aparecida de Oliveira, a Cida, entrou com pedido de divórcio na 9ª Vara de Família, reivindicando a partilha dos bens. O processo teve início em 1º […]

Antes mesmo de enfrentar as primeiras 24 horas atrás das grades, o ex-investidor e dono da Firv, Thales Maioline, de 34 anos, ficou sabendo que a mulher dele, Maria Aparecida de Oliveira, a Cida, entrou com pedido de divórcio na 9ª Vara de Família, reivindicando a partilha dos bens. O processo teve início em 1º de dezembro e aguardava apenas Maioline aparecer de seu esconderijo de 140 dias na Bolívia, onde passou boa parte do tempo acampado na Floresta Amazônica, para ser citado pela Justiça. Ele também está obrigado a pagar pensão alimentícia já fixada pela Justiça para a filha única.

A criança estava com um ano e sete meses quando o pai desapareceu sem informar o paradeiro para a família, em 23 de julho. Neste período, chegou a ter crise de alergia, sentindo a ausência do pai, e se agarrou a um brinquedo (a réplica do coelho da Mônica, personagem de Maurício de Sousa), oferecido a ela de presente por Maioline. “Precisamos recuperar o patrimônio de Maioline para socorrer a família, que não tem nada a ver com isso”, defende o advogado Marco Antonio de Andrade. Segundo ele, Cida se recusa a falar com a imprensa.
 

Na época da fuga, Cida ficou somente com o saldo de R$ 30 mil na conta-corrente. Alguns dias depois do sumiço do marido, ela chegou a declarar que Maioline tinha escolhido o próprio caminho a seguir. Por lei, a ex-mulher já tem direito a receber pelo menos o bem de família – a casa onde Maioline morava com os familiares no Bairro Santa Rosa, na Região da Pampulha, avaliada em R$ 400 mil.

Para dar continuidade ao processo de divórcio e à ação de alimentos, o maior golpista financeiro do país precisava ser citado, ou seja, assinar o documento do oficial de Justiça informando estar ciente do pedido. Somente a Justiça pode decidir os termos da divisão dos imóveis de Maioline e de valores arrecadados pelo casal depois do casamento em regime de comunhão parcial de bens. Na disputa pelo patrimônio da Firv Consultoria e Administração de Recursos Financeiros Ltda., entram também as 2 mil vítimas do golpe, que já ajuizaram 280 processos exigindo o arresto dos imóveis em pagamento dos prejuízos.

Patrimônios

Na disputa pelos bens entre família e vítimas do golpe, estão patrimônios já identificados em nome de Maioline, entre eles um imóvel rural e uma pousada em Araçuaí (terra natal de Maioline, no Vale do Jequitinhonha), duas salas no Bairro Buritis (onde funcionava a sede da Firv), além de moto e carros de luxo como uma picape Ford Nissan, um veículo Citröen C4 Pallas e uma Mitsubshi Eclipse. Este último, ano 2007, avaliado em mais de R$ 100 mil, foi um dos primeiros bens a ser bloqueados pelos investidores lesados. Segundo o advogado do caso, Rodolfo Rezende, que defende um grupo de 50 vítimas da Firv, o carro não pagaria nem a metade do investimento feito por um empresário de Nova Lima, já considerando a depreciação no valor do veículo. “Os investidores ficaram animados com a volta do Thales, mas somente a apresentação dele não resolve o problema. É apenas o começo para facilitar as investigações, dar buscas nos imóveis e continuidade ao processo, que não pode ter seguimento sem a defesa do réu”, explica Rezende.

Em seu primeiro depoimento à polícia desde que se entregou, no domingo, Maioline não chegou a ser inquirido pelo delegado Anselmo Gusmão em relação ao divórcio da mulher nem à ação de alimentos da filha. Com o apelido de Madoff mineiro (em alusão ao ex-investidor de Wall Street Bernard Madoff, condenado por esquema de pirâmide financeira), ele respondeu apenas a perguntas preliminares em relação à constituição do clube de investimentos, sobre onde aprendeu a investir em bolsa de valores e quanto efetivamente acumulou com o negócio.