Madoff mineiro enfrenta divórcio
Antes mesmo de enfrentar as primeiras 24 horas atrás das grades, o ex-investidor e dono da Firv, Thales Maioline, de 34 anos, ficou sabendo que a mulher dele, Maria Aparecida de Oliveira, a Cida, entrou com pedido de divórcio na 9ª Vara de Família, reivindicando a partilha dos bens. O processo teve início em 1º […]
A criança estava com um ano e sete meses quando o pai desapareceu sem informar o paradeiro para a família, em 23 de julho. Neste período, chegou a ter crise de alergia, sentindo a ausência do pai, e se agarrou a um brinquedo (a réplica do coelho da Mônica, personagem de Maurício de Sousa), oferecido a ela de presente por Maioline. “Precisamos recuperar o patrimônio de Maioline para socorrer a família, que não tem nada a ver com isso”, defende o advogado Marco Antonio de Andrade. Segundo ele, Cida se recusa a falar com a imprensa.
Para dar continuidade ao processo de divórcio e à ação de alimentos, o maior golpista financeiro do país precisava ser citado, ou seja, assinar o documento do oficial de Justiça informando estar ciente do pedido. Somente a Justiça pode decidir os termos da divisão dos imóveis de Maioline e de valores arrecadados pelo casal depois do casamento em regime de comunhão parcial de bens. Na disputa pelo patrimônio da Firv Consultoria e Administração de Recursos Financeiros Ltda., entram também as 2 mil vítimas do golpe, que já ajuizaram 280 processos exigindo o arresto dos imóveis em pagamento dos prejuízos.
Patrimônios
Na disputa pelos bens entre família e vítimas do golpe, estão patrimônios já identificados em nome de Maioline, entre eles um imóvel rural e uma pousada em Araçuaí (terra natal de Maioline, no Vale do Jequitinhonha), duas salas no Bairro Buritis (onde funcionava a sede da Firv), além de moto e carros de luxo como uma picape Ford Nissan, um veículo Citröen C4 Pallas e uma Mitsubshi Eclipse. Este último, ano 2007, avaliado em mais de R$ 100 mil, foi um dos primeiros bens a ser bloqueados pelos investidores lesados. Segundo o advogado do caso, Rodolfo Rezende, que defende um grupo de 50 vítimas da Firv, o carro não pagaria nem a metade do investimento feito por um empresário de Nova Lima, já considerando a depreciação no valor do veículo. “Os investidores ficaram animados com a volta do Thales, mas somente a apresentação dele não resolve o problema. É apenas o começo para facilitar as investigações, dar buscas nos imóveis e continuidade ao processo, que não pode ter seguimento sem a defesa do réu”, explica Rezende.
Em seu primeiro depoimento à polícia desde que se entregou, no domingo, Maioline não chegou a ser inquirido pelo delegado Anselmo Gusmão em relação ao divórcio da mulher nem à ação de alimentos da filha. Com o apelido de Madoff mineiro (em alusão ao ex-investidor de Wall Street Bernard Madoff, condenado por esquema de pirâmide financeira), ele respondeu apenas a perguntas preliminares em relação à constituição do clube de investimentos, sobre onde aprendeu a investir em bolsa de valores e quanto efetivamente acumulou com o negócio.