Candidatos evitam ataques e polêmicas e ficam no previsível
Nenhuma surpresa e cada um cumprindo o papel já esperado. Foi assim o primeiro debate entre os presidenciáveis, realizado ontem pela TV Bandeirantes. O ex-governador de São Paulo e candidato do PSDB, José Serra, e a ex-ministra da Casa Civil e candidata do PT, Dilma Rousseff, polarizaram o confronto, fazendo perguntas entre si. Marina Silva, […]
Nenhuma surpresa e cada um cumprindo o papel já esperado. Foi assim o primeiro debate entre os presidenciáveis, realizado ontem pela TV Bandeirantes. O ex-governador de São Paulo e candidato do PSDB, José Serra, e a ex-ministra da Casa Civil e candidata do PT, Dilma Rousseff, polarizaram o confronto, fazendo perguntas entre si. Marina Silva, candidata pelo PV, tentou quebrar a polarização com algumas críticas aos tucanos e petistas e ao que chamou de "oposição pela oposição". Mas, quem roubou a cena, fazendo provocações bem-humoradas foi o candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio.
A tranquilidade de José Serra contrastou com o nervosismo de Dilma Rousseff que, no primeiro bloco do debate, manteve a voz trêmula, trocou palavras, errou concordâncias e esqueceu dados. Ao contrário, o tucano mostrou mais desenvoltura e no segundo bloco ensaiou um ataque, ao falar da precariedade da infraestrutura do país, citando o congestionamento dos aeroportos, portos e as condições das rodovias federais. Ele ainda tentou pegar Dilma de surpresa com um questionamento sobre o que chamou de "tratamento cruel" do governo federal para com as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais. Nas duas investidas usou a palavra "crueldade" para se referir à postura do governo federal.
Dilma conseguiu mais equilíbrio a partir do terceiro bloco, quando citou, pela primeira vez, o seu principal padrinho político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste momento, ela também fez perguntas a Serra que possibilitaram algumas comparações entre as gestões petista e tucana. Os programas Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida foram lembrados pela candidata, que também trocou gentilezas com Marina Silva, ao discutir políticas de combate ao crack.
A candidata Verde enfatizou políticas sociais e fez questão de destacar a sua origem pobre ao afirmar que estudou no Mobral e usou dos serviços públicos de saúde.
Já Plínio de Arruda Sampaio alfinetou os outros três adversários com o claro objetivo de se colocar como o único candidato de oposição. Em várias oportunidades, ele ressaltou a igualdade de posicionamento de Serra, Dilma e Marina em relação a assuntos como limitação para propriedade rural, redução de jornada de trabalho e anistia para os responsáveis por desmatamento.
No quarto bloco, quando os jornalistas fizeram questionamento aos candidatos, foram enfocados os problemas econômicos, como a política tributária e a redução de taxas de juros.
Questões mais polêmicas, como a ligação do PT com as Forças revolucionárias Colombianas (Farc) e os resultados das pesquisas eleitorais, não foram lembradas pelos presidenciáveis que optaram por discutir propostas para saúde, educação e segurança.
Os quatro candidatos fizeram, ao final do evento, avaliações positivas, evitando indicar vencedores ou vencidos.
Saúde
Mutirões. O candidato José Serra criticou o governo federal dizendo que foi "uma crueldade ter parado os mutirões da saúde", acrescentando que caiu o número de cirurgias de varizes, próstata e catarata enquanto a população cresceu.
SUS. A candidata Dilma Rousseff prometeu: "Eu serei a presidenta do Brasil a completar o SUS (Sistema Único de Saúde)." Também prometeu construir 500 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs)
Socializar. O candidato Plínio Sampaio defendeu que "sem a socialização, a questão da saúde não tem solução".
Educação
Prioridade. Marina Silva defendeu mais investimentos no setor. "Investimos 5% do Produto Interno Bruto (PIB). Temos de chegar a 7%. Se compararmos, o Chile está 30 anos na nossa frente", disse.
Creches. Para Dilma Rousseff, a desigualdade de oportunidades começa na infância e prometeu construir 6.000 creches. Também se disse contra a progressão automática no ensino público.
APAEs. José Serra insistiu que o atual governo está discriminando as APAEs e cortou o transporte até a escola para as crianças com necessidades especiais.
Infraestrutura
Rodovias. José Serra citou a BR-381, principalmente o trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares, entre as rodovias que não foram duplicadas. "Andar em estradas federais é um perigo público", criticou.
Empregos. Dilma Rousseff ressaltou a revitalização da indústria naval e comparou números do governo Lula com a gestão FHC. "Ele criou 5 milhões de vagas em oito anos. Nós geramos 14 milhões de empregos em sete anos e meio."
Radical. Plínio de Arruda defendeu uma "distribuição drástica da renda".
Políticas sociais
Diferença. Plínio de Arruda criticou os atuais programas de transferência de renda. "O serviço da dívida consome 31 vezes mais que o Bolsa Família", comparou.
Renda. Dilma Rousseff citou o aumento do salário mínimo e reforçou que no atual governo, "31 milhões de pessoas saíram da linha da pobreza".
Futuro. Marina Silva elogiou as atuais políticas de transferência, mas prometeu os programas de "terceira geração".
Violência. José Serra anunciou que vai criar o Ministério da Segurança. "O governo federal precisa combater o crime."