Interiordo Estado tem cinema de graça na praça
Tirar de cartaz a cachaça, a sinuca ou o papo jogado fora como únicas opções para o final de semana e colocar no cardápio de opções de lazer a sétima arte. Este é objetivo do projeto Cine Sesi Cultural, que chega no próximo final de semana a sua 6ª edição em Minas. O projeto é […]
Tirar de cartaz a cachaça, a sinuca ou o papo jogado fora como únicas opções para o final de semana e colocar no cardápio de opções de lazer a sétima arte. Este é objetivo do projeto Cine Sesi Cultural, que chega no próximo final de semana a sua 6ª edição em Minas. O projeto é realizado sempre em cidades de pequeno porte que não contam com salas de cinema. No Brasil, ele acontece desde 2002. De acordo com a organização, até hoje mais de 2,8 milhões de pessoas – em sua maioria gente de origem humilde e trabalhadores rurais – já foram se sentar nas praças das cidades para a assistirem aos filmes, projetados geralmente perto das igrejas na pracinha principal. A maioria nunca tinha assistido a um filme na telona antes.
Neste ano, o primeiro município mineiro contemplado é Jaboticatubas, Região Central do Estado, a 63 quilômetros de BH. Nos dias 16, 17 e 18 de julho a cidade terá o telão montado na Praça Padre Messias, a partir das 19 horas. Na sequência, a projeção ao ar livre acontece em Gouveia (Vale do Jequitinhonha), Desterro do Melo (Central), Lagoa Dourada, Prados (Campo das Vertentes), Lima Duarte, Passa Quatro, São Tomé das Letras (Zona da Mata), Maria da Fé e Baependi (Sul de Minas).
“Nesta edição, todas as cidades contempladas estão dentro do circuito da Estrada Real”, comenta a coordenadora do Sesi Cultural em Minas Gerais, Alexandra Santos. Segundo ela, o objetivo do projeto é levar diversão também para os moradores das zonas rurais dos municípios contemplados. “Durante o processo fechamos também o apoio das prefeituras, que fornecem transporte em seus ônibus escolares. É tudo gratuito”, ressalta.
Ainda de acordo com a coordenadora do projeto, no ano passado a maioria das cidades contempladas estava nas regiões Norte e do Vale do Jequitinhonha. “O público varia muito de cidade para cidade, mas cada projeção tem, em média, 1.000 a 1.500 pessoas. Ou seja, em cada cidade temos pelo menos 3 mil participantes”, comenta Alexandra Santos.
A coordenadora destaca ainda que os mais deslumbrados são as crianças e adultos na casa dos 20 a 30 anos. Este é o público que teve menos contato com as telonas. “Até os anos 1980, quase toda cidade tinha o seu cinema. Depois disso, as lojas fecharam. Então, temos um público grande, nascido depois disso, que nunca foi ao cinema”, comenta. As projeções ocorrem sempre a partir das 19 horas nas sextas, sábados e domingos. Todas os filmes são projetados ao ar livre.
Filmes apresentados em tela de 12 x 5 metros
As áreas são cedidas pelas prefeituras locais e os equipamentos são do Sesi. Os filmes são apresentados em tela de 12 x 5 metros com um projetor de 35 mm. O som possui três vias de 2 mil watts e projetor Hi-Light Xenon de dois mil watts, além de cinemascope. Ou seja, o padrão de qualidade da exibição é equivalente aos cinemas de alguns shoppings da capital.
Todas as cidades participantes têm acesso aos mesmos filmes. Na sexta-feira, o público confere “Os Filmes que eu não fiz” e “Se eu fosse você 2”. No sábado, o curta “Vida Maria” e o “longa Pequenas Histórias”. No domingo, o curta “Até o Sol Raiar” e o longa “A Era do Gelo 3”.
O projeto foi idealizado pela publicitária Lina Rosa Vieira, que ainda é responsável pela curadoria dos filmes. Em Minas, esta seleção é complementada por peças indicadas pela coordenação do Curta Minas.
Sempre abrindo a programação, os filmes de curta-metragem escolhidos no projeto falam da cultura e da produção cultural brasileira com bom humor.
“Os Filmes que não fiz” conta a história de cineasta completamente desconhecido, mas cheio de projetos e roteiros que nunca saíram do papel. É um dos curtas mineiros mais premiados. Venceu como melhor curta no Júri Popular no Brazilian Film Festival of Toronto 2008; no Cine PE 2008; e ficou entre os 10 Melhores Curtas Brasileiros do Público no Festival Internacional de Curtas de São Paulo em 2008.
“Vida Maria” é uma animação de pouco mais de oito minutos, que fez maior sucesso no Festival de Cinema de Pernambuco (Arte Cine PE). Produzida quase que inteiramente por Márcio Ramos, conta de forma concisa e com toques de humor a contradição entre os desejos pessoais e a realidade que se impõe a qualquer pessoa. Narra a história de Maria, durante seu trabalho no sítio onde vive. Vai dos 5 aos 45 anos e passa todo o seu estilo de viver para sua filha Lurdes. No curta “Até o sol raiar”, personagens criados por um artesão em barro ganham vida própria e agitam uma vila sertaneja em noite de festa. Animado em 3D, une a tradição do artesanato em barro, com o cangaço, numa referência a dois ícones da cultura nordestina.