Terceira onda permite que minério com baixo teor de ferro seja enriquecido
A alta dos preços do minério de ferro no mercado internacional e o consumo ávido da indústria chinesa dão valor à matéria-prima de baixíssimo teor de ferro encontrada nas reservas do Quadrilátero Ferrífero e do Norte de Minas Gerais, considerada a nova fronteira da mineração no estado. Pilhas de minério pobre acumulado como rejeito e […]
Dos anos 1940 ao fim da década de 1960, a primeira fase da mineração em Minas explorou a hematita, rica em ferro, com teores superiores aos 60%. Com a escassez desse material nos anos 1970, foi a vez dos chamados itabiritos friáveis (que se fragmentam com facilidade) e de baixos teores. Foi a segunda onda. Vencido o desafio tecnológico, a terceira onda cria fonte de receita a partir dos itabiritos compactos, material duro que precisa ser moído para retirada da areia que se acumula junto ao ferro. Em Itabira, a Vale se prepara para fornecer em 2013 o primeiro carregamento dos itabiritos pobres que vão passar por um processo de retirada de impurezas para elevar os teores de ferro de no máximo 40% aos 62% a 65% que o mercado pede e valoriza.
Para se ter uma ideia dos preços do minério de ferro valorizado no mercado internacional, o material com teor de 62% de ferro era vendido a US$ 130 por tonelada no mercado spot (à vista) na sexta-feira. A usina da Vale na mina de Conceição vai consumir US$ 1,2 bilhão nos próximos três anos, abrirá 3,2 mil empregos temporários na construção e outros 320 postos de trabalho permanentes na operação e manutenção.
No Norte de Minas Gerais, o projeto da Votorantim Novos Negócios, em associação com a chinesa Hombridge, é explorar minério de ferro com teores de até 20% de ferro, empreendimento que deverá entrar em funcionamento dentro de quatro anos. O minério deverá sair da usina de beneficiamento com 65% de ferro, atendendo a demanda no mercado internacional, segundo o diretor executivo da empresa, Haroldo Fleischfresser. “Nossa parceria com o consórcio chinês – o grupo é integrado, ainda, pela Xinwen Mining – envolve tecnologia nova já disponível e capital”, afirmou o executivo.
Vida últil
A nova tecnologia que enriquece o minério pobre em ferro permite, ainda, a ampliação da vida útil das minas. Em Itabira, a Vale definiu seu horizonte de exploração em mais 50 anos – pelo menos. “Agora, falamos em 50 anos. Pode ser que daqui a uma década, a vida das reservas seja mais longa. O mercado de consumo e a rota tecnológica de aproveitamento do minério é que vão ditar esse tempo”, afirma. “Minas tem os melhores centros de desenvolvimento de tecnologia mineral no país – a Fundação Gorceix e a UFMG”, diz Fernando Coura, presidente do Sindiextra, o sindicato que representa o setor.
Além da Vale e da Votorantim, há mais dois exemplos de mineradoras envolvidas no desenvolvimento de tecnologia para aproveitamento de minérios pobres, a Anglo American, em Conceição do Mato Dentro, na Serra do Espinhaço, e a Kinross, multinacional do segmento de ouro, no Noroeste de Minas. Em Itabira, o projeto da Vale mostra também ganhos ambientais. A nova usina será alimentada pelas pilhas de minério de ferro pobre, que foram acumuladas nos últimos 25 anos, como material estéril.